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Diabetes:”eu sou eu e a minha circunstância”


MGFamiliar ® - Thursday, December 04, 2014


Enquadramento: Portugal apresenta uma das taxas mais elevadas de mortalidade por Diabetes Mellitus (DM) 97:100.000 óbitos. É o segundo país da Europa com maior prevalência de DM, estimando-se um aumento de 15.2% para 2030.

Pergunta clínica: Na população diabética, o padrão geográfico e condições socioeconómicas influenciam a mortalidade?

Desenho do estudo: Estudo ecológico transversal dos óbitos por DM ocorridos nos municípios portugueses em três períodos (1989-1993, 1999-2003 e 2006-2010).

Resultados: Em 1989-1993 a razão padronizada de mortalidade (RPM) foi mais elevada nos municípios urbanos do litoral; em 2006-2010 verificou-se o oposto, com valores elevados de RPM nas áreas rurais no interior sul do país, principalmente no Alentejo. O risco relativo de mortalidade por DM aumentou com o aumento da vulnerabilidade associada às condições sociais e económicas da área de residência, principalmente nos dois últimos períodos (Risco Relativo: 1,00;IC95%: 0,98-1,02).

Conclusão: A DM apresenta um padrão geográfico com duas assimetrias a salientar: litoral versus interior e urbano versus rural. Nas duas últimas décadas verificou-se uma transição geográfica: 48% da população reside em municípios em que a mortalidade aumentou, com destaque para as áreas rurais do interior de Portugal. Comunidades envelhecidas, com baixa escolaridade, desemprego elevado, baixos rendimentos, más condições da habitação, fraca disponibilidade de infraestruturas que incentivem a adopção de estilos de vida saudáveis e com dificuldades de acesso aos cuidados de saúde transformam-se em ambientes vulneráveis, determinantes para a incidência da DM.

Comentário: ”Eu sou eu e a minha circunstância”. A frase célebre de Ortega y Gasset é pertinente na DM pois esta patologia está cada vez mais associada a grupos sócio económicos mais desfavorecidos. A prevenção primária poderá contrariar esta tendência. É necessário o empenho efectivo de toda a comunidade (profissionais de saúde, grupos de utentes, sociedade civil e decisores).


Artigo original: Acta Médica

 Por Rute Maia, USF Prelada

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