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Que evidência para a dieta mediterrânica?


- Thursday, April 25, 2013

 Por Luís Monteiro, UCSP Fernão de Magalhães

Pergunta clínica: que dieta devemos recomendar como prevenção primária para os doentes com elevado risco cardiovascular?

Desenho do estudo: O PREDIMED (Prevención con Dieta Mediterránea) foi um ensaio clínico espanhol, multicêntrico, em que os participantes tinham elevado risco cardiovascular (CV) mas sem patologia CV. Os participantes foram aleatoriamente distribuídos por três grupos com dietas distintas: 1) Dieta mediterrânica  acrescida de um suplemento de azeite diário (50 g/dia, aproximadamente 4 colheres de sopa); 2) Dieta mediterrânica acrescida de um suplemento diário de nozes (30 g/dia); 3) Dieta com reduzida ingestão de gordura. Foram realizadas sucessivas  sessões de educação para a saúde (em grupo e individualmente) a todos os participantes. O objectivo principal foi medir a taxa de eventos cardiovasculares major: enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte por patologia cardiovascular. Devido a uma análise interina o estudo foi interrompido após seguimento durante uma média de 4,8 anos.

Resultados: Este estudo seguiu um total de 7447 pessoas durante 4,8 anos. Os participantes tinham idades compreendidas entre os 50 e 80 anos de idade; 57% eram género feminino. As duas dietas mediterrânicas tiveram uma boa adesão. Ocorreram 288 eventos (enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, morte por patologia cardiovascular) 96 no grupo da dieta mediterrânica + suplemento de azeite (3.8%), 83 na dieta mediterrânica+suplemento de nozes (3.4%) e 109 no grupo de controlo (4.4%).

Analisando cada evento apenas para o AVC existiu um efeito protector para as dietas mediterrânicas com significado estatístico (p=0,005).

Comentário: Tal como os autores referem este estudo tem algumas limitações relevantes: 1) o protocolo foi alterado durante o estudo para reforçar as sessões de educação para a saúde no grupo controlo; 2) o estudo teve muitas desistências (11.3% no grupo controlo e 4,8% nos grupos com dieta mediterrânica); 3) o estudo foi realizado em Espanha pelo que todos os indivíduos pertencem a um país que já tem, em teoria, uma dieta mediterrânica generalizada;4) existiram menos eventos cardiovasculares do que era expectável.

Mas tal como foi salientado por James McCormack e Michael Allan no episódio 195 do excelente podcast Therapeutics Education Colaboration (http://therapeuticseducation.org) apesar deste estudo estar longe de ser perfeito, tendo em conta os dados até agora disponíveis, a dieta mediterrânica é a que reúne mais provas.

Concluindo, e tendo sempre em conta cada utente e o seu contexto, não parece insensato sugerir uma dieta mediterrânica para doentes com alto risco CV.

  Artigo original

 

 

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