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Rastreio com FRAX pode reduzir o risco de fracturas


MGFamiliar ® - Tuesday, September 25, 2018




Pergunta clínica: O rastreio do risco de fratura osteoporótica com a FRAX, em mulheres entre os 70 e os 85 anos, contribui para diminuir a ocorrência de fraturas osteoporóticas? 

Enquadramento: A ferramenta de avaliação do risco de fratura osteoporótica (FRAX), permite a estimativa a 10 anos do risco de fratura de fragilidade da anca e do risco de fratura osteoporótica major (coluna, antebraço, anca ou ombro). Trata-se de uma ferramenta útil para facilitar a ponderação dos riscos e benefícios do início de terapêutica para a osteoporose, desenvolvida com a utilização de informação obtida em múltiplas coortes de vários países, encontrando-se já validada em muitos destes. Não é, no entanto, consensual a sua implementação e utilização difusa como forma de rastreio do risco de fratura osteoporótica, não estando atualmente implementado em países como o Reino Unido.

Desenho do estudo: Estudo controlado, randomizado, realizado numa amostra de mulheres dos 70 aos 85 anos, em contexto comunitário (provenientes de 100 unidades de saúde de 7 regiões do Reino Unido), com o objetivo principal de testar a hipótese de redução de fraturas osteoporóticas nesse grupo populacional, através da identificação de mulheres em maior risco usando a FRAX, proporcionando assim o início atempado de terapêutica. Foram excluídas mulheres já sob medicação para osteoporose. No grupo de intervenção o tratamento foi recomendado em mulheres identificadas como de alto risco para fratura da anca, de acordo com o FRAX, enquanto no grupo controlo o rastreio do risco através da FRAX não foi feito, sendo o acompanhamento feito da forma convencional. O marcador primário foi a proporção de mulheres que tiveram uma ou mais fraturas relacionadas com osteoporose durante um período de 5 anos.

Resultados: Participaram 12483 mulheres no estudo, 6233 no grupo de intervenção, sendo que foi recomendado em 898 (14%) o uso de medicação para osteoporose. No final do primeiro ano de estudo, a proporção de mulheres medicadas par aa osteoporose foi de 15% no grupo de intervenção e 4% no grupo controlo. O rastreio com a FRAX não se traduziu numa redução estatisticamente significativa na incidência geral de fraturas osteoporóticas de todos os tipos ([HR]: 0,94; IC95%: 0,85-1,03; p=0,178), tendo-se apenas observado uma redução na incidência de fraturas da anca ([HR]: 0,72; IC95%: 0,59-0,89; p=0,002), sendo o número necessário para rastrear de 117.

Conclusão: O programa de rastreio sistemático, na comunidade, do risco de fractura em mulheres idosas, no Reino Unido, através do uso da FRAX é considerado através deste estudo como viável e com potencial eficácia na redução das fraturas de osteoporóticas da anca.

Comentário: Ao contrário da realidade inglesa, em Portuga, a recomendação do uso da FRAX como forma de rastreio rápido do risco de fratura osteoporótica em mulheres na pós-menopausa já está estabelecida pela Direção Geral de Saúde há vários anos, estando esta inclusivamente já “calibrada” com os dados epidemiológicos portugueses. Permite o cálculo do risco com ou sem densitometria óssea, facilitando a abordagem da osteoporose e a introdução de medicação em casos de alto risco. Os resultados deste estudo, bem desenhado e com uma amostra de dimensão considerável, vêm confirmar a potencial eficácia na prevenção de fraturas osteoporóticas da anca. Contudo, é de salientar que a dimensão do benefício é algo reduzida, pois o número necessário para rastrear é elevado. Um outro aspecto a merecer atenção relaciona-se com o facto de não terem sido avaliados, neste ensaio, os efeitos adversos do tratamento.

Artigo original: Lancet

Por Luís Paixão, UCSP de Cantanhede 



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