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Hipotensão ortostática: avaliação no 1º ou após o 3º minuto?


MGFamiliar ® - Friday, February 09, 2018




Pergunta clínica: Em pacientes com suspeita de hipotensão ortostática, a pressão arterial deve ser avaliada no primeiro minuto ou após o terceiro minuto de ortostatismo?

Enquadramento: A hipotensão ortostática representa uma causa frequente de quedas, particularmente na população idosa, sendo importante a sua avaliação e prevenção através do ensino de técnicas posturais.

Desenho de estudo: Estudo prospetivo de coorte. Os investigadores averiguaram o período ideal para a avaliação da hipotensão ortostática em 11.429 adultos de meia idade (média de 54 anos) recrutados da população geral (54% mulheres, 26% raça negra). Aproximadamente 10% destes doentes (n=1.138) apresentava história de tonturas em ortostatismo. Após 20 minutos em decúbito, os doentes foram colocados em posição ortostática, tendo-se obtido medições automáticas da tensão arterial a cada 25 segundos, até um máximo de 5 medições. Foi permitido aos doentes com antecedentes de tonturas que se mantivessem sentados até se sentirem confortáveis para se levantarem. Hipotensão ortostática foi definida como sendo uma redução abrupta superior a 20mmHg da tensão arterial sistólica ou 10mmHg da tensão arterial diastólica.

Resultados: A ocorrência de hipotensão ortostática durante o primeiro minuto (25-62 segundos) foi preditiva de risco mais elevado de tonturas (odds ratio 1.49; IC 95% 1.18-2.89), estando também associada a maior risco de fratura, síncope e morte nos 23 anos subsequentes.

Conclusão: Uma descida tensional durante o primeiro minuto de ortostatismo é melhor preditor da ocorrência de tonturas e eventos adversos futuros quando comparado com o intervalo actualmente recomendado de 3 minutos.

Comentário: Esta investigação vem demonstrar que a avaliação durante o primeiro minuto apresenta vantagens em relação aos 3 minutos tradicionalmente recomendados, traduzindo-se não só em maior acuidade preditiva como também em maior rapidez de avaliação, o que representa uma mais-valia preciosa na prática clínica do dia-a-dia.

Artigo original: JAMA Intern Med

Por João Alves, USF S. João de Braga


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