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Íleo pós-operatório: solução à MacGyver


MGFamiliar ® - Sunday, June 14, 2015

Pergunta clínica: Será que mascar pastilha elástica previne o íÍleo após cirurgia colo-rectal?

Enquadramento: O íleo pós-operatório é uma disfunção transitória da motilidade gastrointestinal, que frequentemente causa atraso no retorno à motilidade intestinal normal e constitui uma complicação comum após cirurgia abdominal (incluindo colo-rectal). Os doentes que desenvolvem íleo pós-operatório estão sujeitos a uma maior utilização dos cuidados de saúde e despesas associadas, assim como a um prolongamento do internamento hospitalar e aumento da morbilidade. O uso de pastilha elástica estimula a motilidade intestinal e produção de secreção gástrica, pancreática e duodenal, pelo que a literatura descreve esta medida como potencialmente benéfica.

Desenho do estudo: Este ensaio clínico randomizado (ocultação simples), avaliou adultos submetidos a cirurgia colo-retal eletiva aberta. Os principais objetivos foram: determinar o tempo de internamento e avaliar parâmetros inflamatórios e complicações. Foram excluídos doentes com carcinomatose, doença inflamatória intestinal, cirurgia gástrica/esofágica prévia, ostomias pré-existentes, alergia à hortelã, doenças neuromusculares, e sob terapêutica com efeitos na motilidade intestinal (por exemplo, opiáceos, atropina ou agentes procinéticos). Entre maio de 2009 e setembro de 2012, 120 doentes foram randomizados para mascar pastilha elástica (n=58) ou colocação adesivo dérmico (grupo controle; n=62). O primeiro grupo iniciou tratamento antes da cirurgia e parou quando a ingestão oral foi retomada. Oito pacientes descontinuaram após a randomização (n=2 do grupo controle). O esvaziamento gástrico foi verificado por ecografia, e os níveis de receptor solúvel do fator de necrose tumoral 1 (TNFRSF1A) e interleucina (IL) 8 foram medidos.

Resultados: O tempo médio de internamento dos doentes que mascaram pastilha elástica foi de 9.5 dias, e do grupo placebo foi 14 dias. Verificou-se a ocorrência de íleo pós-operatório em 27% dos doentes com pastilha e 48% dos doentes com adesivo (P=0.020). Em maior número, os doentes que mascaram pastilha defecaram nos 4 dias de pós-operatório (85% vs 57%, P=0.006). A diminuição da área antral após uma refeição padrão foi significativamente maior entre os doentes que mascaram (25% vs 10%, P=0.004). Os níveis de IL-8 (133 vs 288 pg/mL; P=0.045) e TNFRSF1A (0.74 vs 0.92 ng/mL; P=0.043) foram menores entre os doentes que mascaram pastilha elástica. Menos doentes deste grupo desenvolveram uma complicação de grau IIIb (2 vs 10; P=0.031).

Conclusão: Mascar partilha elástica previne o íleo após cirurgia colo-rectal.

Comentário: Mascar partilha elástica é, portanto, uma medida preventiva simples, segura e de baixo custo que podemos sugerir nas nossas consultas, se adequado para o doente em particular (não esquecer os critérios de exclusão descritos acima). A salientar que o uso de pastilha elástica deve estar sempre integrado num conjunto amplo de medidas preventivas do íleo pós-operatório que incluem, por exemplo, a analgesia epidural e a cirurgia minimamente invasiva.

Artigo original:Br J Surg

Por Sheila Maugi, USF Almonda




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