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Prevalência de iliteracia em saúde em Portugal


MGFamiliar ® - Tuesday, December 12, 2017




Pergunta clínica: Qual a prevalência da iliteracia em saúde em Portugal?

Desenho do estudo: Adaptação transcultural do instrumento avaliação da literacia em saúde intitulado “Newest Vital Sign”. Aplicação da versão validada para a população Portuguesa em 2012 e avaliou uma amostra representativa da população nacional acerca do conhecimento sobre obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, cancro e hábitos de vida saudáveis. Obtidas 1624 entrevistas válidas, destas foram excluídas 79 da análise estatística por incapacidade de ler ou escrever ou falta de informação sobre a escolaridade. A amostra final foi de 1544 entrevistados. A amostra tinha média de idades de 41 anos, metade (50%) era do género feminino e cerca de 40% tinha 4 anos ou menos de escolaridade.

Resultados: A prevalência de literacia em saúde limitada na população portuguesa entre os 16 e os 79 anos foi de 72,9%, sendo 30,4% classificada num grupo intermédio como “possibilidade de literacia em saúde limitada” e 42,5% como “elevada possibilidade de literacia em saúde limitada”. A literacia limitada aumenta com o aumento da idade e diminui com o aumento da escolaridade. Havia ligeiramente mais mulheres no grupo intermédio, contudo na análise de multivariáveis não houve diferença significativa entre géneros.

Conclusão: 3 em 4 pessoas da população portuguesa alfabetizada têm literacia em saúde limitada (72.9%).

Comentário: O valor estimado, neste estudo, de literacia em saúde limitada é superior ao observado noutros países europeus avaliados pelo mesmo método, 23,7% na Holanda e 63,1% em Espanha. Estas conclusões devem-nos alertar para a importância que os profissionais de saúde têm em capacitar a população portuguesa de conhecimentos sobre os comportamentos promotores de saúde e sobre as suas patologias. Uma pessoa informada terá maior capacidade de prevenir patologias e gerir os problemas já instalados. A informação deve ser adaptada ao cidadão ou ao seu cuidador e aos seus graus de educação, privilegiando sempre mensagens claras e, quando possível, disponibilizar a informação escrita ou audiovisual em formato de papel ou digital, respetivamente. Será que os tempos reduzidos de consulta, a quantidade de utentes nos ficheiros dos Médicos de Família e/ou o descontentamento dos profissionais com as condições de trabalho estarão a influenciar esta falta de literacia na população?

Artigo original: Acta Médica Portuguesa

Por Isabel Rocha, UCSP de Penacova  



Comments
André Correia commented on 10-Mar-2018 10:00 AM
"A informação deve ser adaptada ao cidadão ou ao seu cuidador e aos seus graus de educação, privilegiando sempre mensagens claras e, quando possível, disponibilizar a informação escrita ou audiovisual em formato de papel ou digital, respetivamente. Será que os tempos reduzidos de consulta, a quantidade de utentes nos ficheiros dos Médicos de Família e/ou o descontentamento dos profissionais com as condições de trabalho estarão a influenciar esta falta de literacia na população?"

Não podia estar mais de acordo. Mas até para efeitos de agilização de tempo de consulta, considero como fundamentais na minha prática clínica ferramentas de suporte de decisão e de educação para a saúde como o "Guia Prático de Saúde" da APMGF e os portais "Metis" (da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) e "Decidir em Saúde" integrado no site do MGFamiliar.net.


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