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Rastreio de pré-eclâmpsia: recomendação da USPSTF


MGFamiliar ® - Monday, August 07, 2017




Pergunta clínica:
 Nas grávidas, o rastreio de pré-eclâmpsia pela avaliação por rotina da pressão arterial nas consultas de saúde materna, diminui a morbi-mortalidade materna e peri-natal?

Enquadramento:
A pré-eclâmpsia é definida como o aparecimento de hipertensão arterial (≥140/90 mmHg em 2 ocasiões separadas por 4h) após as 20 semanas de gestação e uma de duas manifestações: aparecimento de proteinúria de novo ou sinais/sintomas de atingimento de múltiplos órgãos sistémicos (trombocitopenia, insuficiência renal, alteração da função hepática, edema pulmonar, alterações do sistema nervoso central ou alterações visuais). Esta entidade é a segunda principal causa de mortalidade materna em todo o Mundo, podendo acarretar complicações para a mãe e para o feto.  


Desenho do estudo:
A United States Preventive Services Task Force realizou uma revisão da evidência sobre os benefícios e riscos do rastreio, diagnóstico e tratamento da pré-eclâmpsia. Estas recomendações serão aplicáveis a todas as mulheres grávidas sem diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia ou hipertensão.

Resultados: Todas as mulheres grávidas estão em risco de pré-eclâmpsia e devem ser rastreadas. O rastreio deve ser feito através da medição da pressão arterial (recomendação nível B) em todas as consultas de saúde materna. Existe evidência de que a utilização de tira-teste urinária tem baixa acuidade diagnóstica para detectar proteinúria na grávida. A importância de rastrear e posteriormente diagnosticar pré-eclâmpsia, uma condição imprevisível e potencialmente fatal, deve-se ao facto de estar bem estabelecido que o seu tratamento (anti-hipertensores, indução do parto, sulfato de magnésio) traz benefícios para a mãe e para a criança, bem como diminuição da morbilidade e mortalidade materna e perinatal. Tanto o rastreio, com medição da pressão arterial, como o tratamento têm baixo risco de provocar danos.

Conclusão: A United States Preventive Services Task Force conclui com moderada certeza que há um benefício substancial no rastreio de pré-eclâmpsia nas mulheres grávidas e portanto recomenda o seu rastreio através da medição da pressão arterial durante a gravidez (recomendação nível B).

Comentário: A importância de detectar a pré-eclâmpsia é suportada pela evidência o que reforça a importância da vigilância da saúde materna pelo enfermeiro de família e pelo médico de família. O rastreio através da medição da pressão arterial é um acto simples e portanto fácil de cumprir na prática clinica diária nos cuidados de saúde primários. A par destas recomendações para o rastreio, é importante que sejam definidas e uniformizadas a abordagem diagnóstica e o tratamento. 

Artigo original: JAMA

Por Maria Silva, USF São João do Porto 




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