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USPSTF: rastreio de escoliose no adolescente


MGFamiliar ® - Monday, May 28, 2018




Pergunta clínica: Nos adolescentes assintomáticos, o rastreio de escoliose tem maior benefício do que dano quando comparado com a ausência de rastreio? 

Enquadramento: A escoliose do adolescente caracteriza-se pela presença de uma curvatura lateral da coluna vertebral com um ângulo de Cobb superior a 10°, que usualmente piora durante a adolescência, antes da maturidade esquelética. Esta patologia é usualmente assintomática mas a curvatura severa pode associar-se a consequências adversas, nomeadamente a nível pulmonar, musculoesquelético, psicológico e estético, com redução da qualidade de vida. Em 2004 a United States Preventive Services Task Force atribuiu uma recomendação contra este rastreio, baseada na superioridade dos riscos do seu tratamento em relação aos benefícios (Nível de evidência D).

Desenho do estudo: A United States Preventive Services Task Force procedeu à revisão sistemática da literatura acerca dos benefícios e riscos do rastreio e tratamento da escoliose idiopática em adolescentes.

Resultados: Não foi encontrada evidência direta que favoreça o rastreio de escoliose idiopática em adolescentes. A literatura demonstra a precisão do rastreio para a detecção da escoliose, superior quando três testes (inspecção da flexão anterior do tronco, escoliometria e topografia de Moiré) são positivos. A taxa de falsos positivos varia entre 1 e 22%. Os resultados dos estudos relativos à eficácia do tratamento com colete ortopédico foram considerados adequados, com redução da progressão da curvatura em adolescentes com curvatura ligeira a moderada (ângulo de Cobb <50°). No entanto, a evidência disponível sobre a associação entre a redução da curvatura e ganhos em saúde a longo prazo é inadequada, tal como a relativa ao tratamento de curvatura <50° com exercício e cirurgia. Não foi encontrada literatura relativa aos danos diretos do tratamento.

Conclusão: A United States Preventive Services Task Force alterou a sua recomendação e conclui que a evidência disponível actualmente é insuficiente para determinar a relação risco/benefício do rastreio da escoliose idiopática em adolescentes. (Recomendação grau I).

Comentário: O adolescente e a sua família podem ser informados que a escoliose moderada não requer, na maioria das vezes, tratamento. O uso de colete ortopédico e exercícios terapêuticos podem diminuir a progressão de curvaturas <10°. A salientar que a literatura actual é insuficiente no que toca aos benefícios a longo prazo destes tratamentos.

Artigo original: JAMA

Por Cláudia Silva, USF Prado 



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