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Efeitos da terapêutica hormonal de substituição a longo prazo


MGFamiliar ® - Wednesday, September 27, 2017




Pergunta clínica: Nas mulheres submetidas à terapêutica hormonal de substituição nos anos iniciais da menopausa, esse tratamento implica um aumento de risco de mortalidade a longo prazo comparativamente ao placebo?

População: Mulheres submetidas à terapêutica hormonal de substituição nos anos iniciais da menopausa.
Intervenção: Terapêutica hormonal de substituição.
Comparação: a) Estrogénios equinoconjugados associados a acetato de medroxiprogesterona (0,625mg + 2,5mg) vs placebo em mulheres com útero; b) Estrogénios equinoconjugados (0,625 mg) vs placebo, durante 7,2 anos, em mulheres histerectomizadas.
Outcome: Mortalidade global e mortalidade por causas específicas.

Enquadramento: Os resultados dos ensaios clínicos randomizados do Women's Health Initiative tiveram um impacto considerável na prática clínica e na forma como a terapêutica hormonal de substituição era prescrita às mulheres após a menopausa. Isto sobretudo pelo facto de durante o ensaio clínico que envolveu as mulheres pós-menopáusicas com útero se ter observado um aumento de risco de cancro da mama, de eventos tromboembólicos e de eventos cardiovasculares. Neste contexto, também é pertinente saber qual o impacto da terapêutica hormonal de substituição a longo prazo ao nível da mortalidade, principalmente por ser esse o padrão das mulheres que, em determinadas circunstâncias, são submetidas na actualidade a esta terapêutica: fazem tratamentos até cerca de 5 a 10 anos no início da menopausa. Logo, interessa saber se, passados 10, 15, 20 anos, haverá impacto ao nível da mortalidade nestas mulheres. 

Desenho do estudo: Estudo observacional, em que 27347 mulheres pós-menopáusicas que estiveram envolvidas no Women's Health Initiative, com idades compreendidas entre os 50 e 79 anos, foram seguidas. Tempo cumulativo de seguimento: 18 anos. Os dois ensaios clínicos randomizados controlados e duplamente cegos no âmbito do Women's Health Initiative, envolveram dois grupos de mulheres e duas estratégias terapêuticas diferentes: a) Estrogénios equinoconjugados associados a acetato de medroxiprogesterona (0,625mg + 2,5mg) vs placebo, durante 5,6 anos, em mulheres com útero. b) Estrogénios equinoconjugados (0,625 mg) vs placebo, durante 7,2 anos, em mulheres histerectomizadas.O marcador primário deste estudo foi avaliar a mortalidade global e a mortalidade por causas específicas (doença cardiovascular, cancro e outras causas), ao longo de 18 anos de seguimento (durante e após a fase de intervenção).

Resultados: Durante 18 anos de seguimento ocorreram 7489 mortes (1088 durante e 6401 após a fase de intervenção). No total dos grupos submetidos a terapêutica hormonal de substituição, a mortalidade global foi de 27,1% vs 27,6% no grupo placebo (hazard ratio [HR], 0.99 [95% CI, 0.94-1.03]). A mortalidade cardiovascular foi de 8,9% vs 9,0%, a mortalidade total por cancro 8,2% vs 8,0% e a mortalidade para outras causas 10,0% vs 10,7%. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em qualquer um dos marcadores. 

Conclusões: Nas mulheres pós-menopáusicas com útero submetidas a terapêutica hormonal de substituição com estrogénios equinoconjugados associados a acetato de medroxiprogesterona por um período de 5,6 anos e nas mulheres pós-menopáusicas sem útero submetidas a terapêutica hormonal de substituição com estrogénios equinoconjugados não se observou a longo prazo um aumento do risco de mortalidade global, de mortalidade cardiovascular ou por cancro.

Comentário: Este estudo é relevante para a prática clínica, pois reforça a segurança a longo prazo do uso da terapêutica hormonal de substituição nas mulheres pós-menopáusicas com sintomas vasomotores moderados a graves nos anos iniciais da menopausa. Contudo, os resultados deste estudo não vêm anular as conclusões anteriores do Women's Health Initiative. O risco aumentado de cancro da mama, de eventos tromboembólicos e de eventos cardiovasculares durante período de tratamento persiste. 

Artigo original: JAMA

Por Pedro Namora. USF Famalicão I 





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