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THS aumenta risco de cancro do ovário


MGFamiliar ® - Thursday, February 26, 2015

 

 

 

Pergunta clínica: A terapêutica hormonal de substituição (THS), em mulheres na pós-menopausa, aumenta o risco de cancro do ovário?

Desenho do estudo: Meta-análise conduzida pelo “Collaborative Group on Epidemiological Studies of Ovarian Cancer”, incluiu participantes de 52 estudos epidemiológicos, 17 prospectivos e 35 retrospectivos, publicados e não publicados. Foram incluídas informações de 21488 mulheres pós-menopáusicas com cancro do ovário, tendo sido realizado estudo caso-controlo, com ajuste de idade e IMC e emparelhamento por paridade, uso de ACO e idade da menopausa.

Resultados: Durante o follow-up, de 12110 mulheres, 55% (6601) das que usaram THS (duração média de utilização de 6 anos), desenvolveram cancro do ovário. Apenas 2702 (29%) das participantes com cancro do ovário dos estudos retrospectivos utilizaram THS com uma duração média de 4 anos. Os investigadores encontraram um risco 20% superior nas mulheres que realizaram THS (mesmo por um breve período) de desenvolver cancro do ovário em relação às que nunca utilizaram esta terapêutica. O risco aumenta em função da cronologia do tratamento, sendo maior o risco para terapias mais recentes, nomeadamente para as mulheres que se encontravam sob THS (RR, 1.41; 95% IC, 1.32 - 1.50; p<0.0001). Este aumento verifica-se mesmo para mulheres sob THS por períodos inferiores a 5 anos (duração média 3 anos; RR, 1.43; 95% IC, 1.31 - 1.56; p<0.0001). Quanto maior o tempo passado sobre a THS menor o risco de cancro do ovário, embora a utilização da terapia por um período de pelo menos 5 anos tenha implicado um aumento de risco em 10%. Foi encontrado aumento de risco para desenvolver dois subtipos específicos de cancro do ovário (seroso e endometrióide, os mais frequentes), o que apoia a hipótese de existir causalidade entre THS e desenvolvimento de cancro do ovário segundo os autores. Foi encontrada associação entre risco de desenvolvimento de cancro do ovário para as duas modalidades de THS – estrogénios isoladamente e combinação de estrogénio e progesterona.

Conclusão: A THS aumentou de forma significativa o risco de cancro do ovário em mulheres na pós-menopausa. O aumento do risco, nas mulheres que fizeram THS durante 5 anos a partir dos 50 anos foi de 1 neoplasia ovárica por cada 1000 utilizadoras e, de acordo com o prognóstico do cancro do ovário, uma morte adicional por cancro do ovário por cada 1700 utilizadoras de THS.

Comentário: Não obstante o elevado número de mulheres sob THS mundialmente, ainda não tinham sido publicados estudos que estabelecessem relação estatisticamente significativa entre THS e cancro do ovário. As guidelines internacionais e inclusivamente as orientações da Sociedade Portuguesa de Menopausa, baseadas sobretudo no “Women's Health Initiative trial”, contemplam o risco de cancro da mama e do endométrio mas não consideram o risco de cancro do ovário nas mulheres submetidas a THS. Após a publicação deste estudo, torna-se relevante a inclusão do risco de cancro do ovário nos possíveis efeitos adversos da THS, ainda que a sua incidência seja francamente inferior à do cancro da mama. Como limitação importante deste estudo destaca-se a omissão da avaliação do impacto da dose da THS e a não inclusão de outros métodos, nomeadamente tibolona, terapêutica tópica, e isoflavonas de soja.

Artigo original:The Lancet

Por Célia Oliva, USF Além D´Ouro 

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