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A dieta vegetariana reduz a mortalidade?

MGFamiliar ® - Tuesday, September 03, 2013

Por Philippe Botas, USF Topázio

Pergunta clínica: Qual a associação de padrões de dieta vegetariana com a redução da mortalidade?

 

Desenho do estudo: Estudo de coorte prospectivo, realizado na América do Norte, com recrutamento de 96 469 Adventistas do 7ºdia, entre 2002 e 2007. A análise incidiu numa amostra de 73 308 participantes, com idade superior a 25 anos, sem antecedentes de carcinoma (excepto carcinoma cutâneo diferente de melanoma) ou de doença cardiovascular. Categorizaram-se 5 grupos de padrões alimentares, através de questionário quantitativo da frequência de ingestão de alimentos de origem animal: nonvegetarian; semi-vegetarian; pesco-vegetarian; lacto-ovo-vegetarian; vegan. As mortes até 2009 foram identificadas no National Death Index. A análise de dados de mortalidade pela regressão de Cox considerou variáveis confundentes demográficas e de estilo de vida.

 

Resultados: Os participantes distribuíram-se da seguinte forma: 7,6% vegans, 28,9% lacto-ovo-vegetarians, 9,8% pesco-vegetarians; 5,5% semi-vegetarians; 48,2% nonvegetarians. A média do período de follow-up foi de 5,79 anos e registaram-se 2570 mortes. Todos os grupos vegetarianos tiveram taxa de mortalidade mais baixa do que o grupo de não vegetarianos, com significado estatístico nos 3 primeiros. Na comparação “vegetarianos” vs “não vegetarianos” verificou-se, com significado, um menor risco para os vegetarianos na mortalidade geral e também na mortalidade por outras causas (exclui causa cardiovascular e oncológica). Para a mortalidade por doença cardiovascular e cancro o risco foi menor para vegetarianos, mas sem significado estatístico. Ao considerar o sexo masculino, verificou-se, com significado, menor risco de mortalidade cardiovascular para vegetarianos. Para o sexo feminino não se verificaram diferenças com significado estatístico.

 

Conclusão: Os autores concluem que, na coorte estudada, os padrões de dieta vegetariana estão associados com menor mortalidade.

 

Comentário: Num contexto em que se enaltece a medicina preventiva, assumindo o especialista em MGF uma posição privilegiada nesta abordagem, este estudo reforça as evidências que sugerem que os padrões de dieta com menor consumo de derivados animais reduzem a mortalidade. Na discussão os autores destacam os resultados do estudo EPIC-Oxford realizado em Inglaterra com redução do risco apenas para a mortalidade por doença isquémica cardíaca. Logo, é importante esclarecer quais as características da dieta que se associam com redução da mortalidade, reconhecendo-se diferenças nos padrões alimentares de vegetarianos em ambos os estudos. Com maior robustez, podemos inferir pelos benefícios de uma dieta com consumo reduzido de carnes vermelhas. Na minha perspectiva, o aconselhamento deve considerar estes dados, mas deve adaptar-se à realidade da pessoa, não descurando as possíveis consequências de um plano alimentar mal orientado. A reflexão centra-se no limite das nossas competências.

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