MaisOpinião - Philippe Botas

O que me diz a MGF


MGFamiliar ® - Sunday, June 28, 2015





A MGF foi tímida nos anos da faculdade. Não se revelou de forma insistente e disfarçou-se no emaranhado de especialidades que me acompanharam. Logo percebi que era diferente de todas as outras. Sem arrogância, muitas vezes desprezada pelas outras especialidades e mesmo por alguns que a assumiram como sua. Penso que foi esta postura que me despertou a curiosidade em a conhecer melhor. Nessa altura dava-se a conhecer pelo nome de Clínica Geral e ainda é assim conhecida por muitos. De facto, nesse tempo só ficou mesmo o fascínio pelo Médico de Família, que já vinha de tempos da minha infância. E foi esse sentimento, sem grandes influências, que me indicou o caminho no momento da escolha da minha especialidade. A experiência no ano comum deu uma ajuda.

Ainda sem saber bem como seria o reencontro com a MGF, avancei para a minha nova casa. O Centro de Saúde de Eiras. Em quatro anos e alguns meses pude conhecê-la melhor, de uma forma que nunca tinha tido oportunidade. Nesta fase, o primeiro encontro foi inovador e aos poucos foi possível a transformação de uma visão “hospitalocêntrica” para os Cuidados de Saúde Primários. A MGF revelou-se global, não descurando várias preocupações da pessoa, abrangente, não discriminando ninguém independente do motivo de procura, e esteve sempre presente numa perspetiva de continuidade, sem altas precoces. O fascínio pela sua maneira de ser, destacando-se de todas as outras, foi crescendo. O relacionamento com especialidades hospitalares nem sempre foi pacífico, mas foi assumindo uma posição importante para um objetivo comum. O segundo encontro foi na USF Topázio, onde se revelou mais coesa, solidária e com maior capacidade de trabalho em equipa. Centrou-se nos seus consulentes, estimulando para a sua participação nas atividades desenvolvidas e preocupou-se em autoavaliar-se de forma constante. Organizada e em colaboração multidisciplinar, preocupou-se com todos os elementos que a completam. Assim, foi-me possível aprender, ensinar, ganhar experiência, consolidar e reaprender. Abrir a mente a uma nova ideia.  

Agora que a conheço melhor, ainda há dias em que não a compreendo na sua essência, num modelo político que a diz valorizar, sem contudo o concretizar na prática. Sim, há dias menos bons, em que tento respirar fundo quando vou a caminho do local de trabalho. Dias que qualquer um de nós tem, por diversas razões da nossa vida. Sim, há dias em que posso ter uma atitude menos positiva, fruto de adversidades várias: excessos, burocracias, desvalorização, tempo, exigências. Pois, também a MGF vive de e para pessoas. Com todas as suas fragilidades e potencialidades. Mas, quando entro na minha nova casa, percebo que fiz a escolha certa em a conhecer melhor e quando regresso de mais um dia, é a MGF que me acompanha.  

Philippe Botas





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