Prescrição Racional

AAS previne morbimortalidade da pré-eclâmpsia?


MGFamiliar ® - Wednesday, September 03, 2014

 

Enquadramento: A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morte materna, afectando 2-8% das grávidas em todo o mundo, com tendência crescente na sua incidência. Nesta entidade, a mortalidade peri-natal é 2 vezes maior.

Pergunta  clínica: a administração de ácido acetilsalicílico (AAS) previne a morbimortalidade associada à pré-eclâmpsia em grávidas de risco?

Desenho: Revisão sistemática (RS), realizada por investigadores da USPSTF e que incluiu estudos entre 2006 e 2013.

Resultados: Foram incluídos dois ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) multicêntricos de grandes dimensões e 13 ECACs menores relativos a mulheres de alto risco (8 de boa qualidade), bem como 6 ECACs e 2 estudos observacionais em mulheres de risco médio para avaliar os danos (7 de boa qualidade). As grávidas tinham idades entre 20-33 anos e eram maioritariamente caucasianas. Todos os ECAC tiveram início após as 12 semanas de gestação, tendo a dose de AAS administrada variado entre 60-150 mg/dia.

Dependendo do risco de base, o uso de AAS associou-se a uma redução do risco absoluto de pré-eclâmpsia de 2% a 5% (risco relativo [RR] 0,76, [IC de 95%, 0,62-0,95]), de restrição do crescimento intra-uterino (RCIU) em 1% a 5% (RR, 0.80 [IC, 0,65-0,99]) e de parto pré-termo (PPT) em 2% a 4% (RR, 0.86 [IC, 0,76-0,98]). Não foram identificados danos peri-natais ou maternos significativos. A evidência sobre resultados a longo prazo foi escassa, mas os 18 meses de seguimento do ECAC mais longo não revelaram danos na intervenção a nível do desenvolvimento infantil. Não se obtiverem diferenças significativas nos resultados quando comparadas doses de AAS ou a idade gestacional de início.

Comentário: Esta RS corrobora aquela publicada em 2007 pela Cochrane, identificando os benefícios do AAS na prevenção da pré-eclâmsia e doença peri-natal, em mulheres de alto risco (antecedente de pré-eclâmpsia, diabetes, HTA prévia, doença renal, doenças autoimunes e gravidez múltipla). Porém, estes benefícios apesar de significativos são marginais, questionando-se a sua persistência com resultados de investigações vindouras. 

Artigo original

Por Vítor Cardoso, USF Gualtar

 

 

Comments
Vítor Cardoso commented on 09-Sep-2014 04:25 PM
e entretanto, as respectivas recomendações: http://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf14/asprpreg/asprpregfinalrs.htm#summary


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