Prescrição Racional

Uso profilático de anti-histamínicos na dermatite atópica – que evidência?


MGFamiliar ® - Thursday, November 14, 2013
Por Dina Fernandes, USF +Carandá

 

Pergunta clínica: Qual a utilidade da administração profilática dos anti-histamínicos (AH) orais no controlo das agudizações da dermatite atópica (DA) em crianças?

Desenho do estudo: Revisão baseada na evidência, publicada na Acta Pediátrica Portuguesa.

Resultados: Duas guidelines recomendam o uso de AH apenas como terapêutica adjuvante na agudização da DA, sobretudo quando prurido intenso associado. No entanto, uma delas faz referência à possibilidade de se realizar uma prova terapêutica com AH durante um mês nos casos mais graves e com prurido intenso.

Uma revisão sistemática que incluiu vinte e um estudos, dos quais apenas cinco foram realizados exclusivamente com crianças, identificou vários vieses de confundimento em todos os artigos incluídos. Esta revisão também concluiu não haver evidência na utilização dos AH de forma profilática na DA.

Um dos dois estudos clínicos aleatorizados e controlados (ECAC) selecionados avaliou a eficácia da cetirizina, no qual foram acompanhadas 817 crianças durante 18 meses. Estabeleceram-se os seguintes endpoints: aparecimento de asma, gravidade clínica de DA, necessidade de terapêuticas adjuvantes, efeitos secundários e desenvolvimento cognitivo. Este ECAC concluiu que a utilização de cetirizina é uma opção eficaz e segura na prevenção das agudizações.

Por sua vez, o outro ECAC avaliou o efeito da clorfeniramina administrada durante quatro semanas a 155 crianças e recorrendo a escalas visuais analógicas com cinco critérios de observação como endpoints. Este estudo mostrou ausência de benefício na utilização sistémica da clorfeniramina na prevenção das agudizações.

Comentário: A DA é uma entidade clínica muito frequente em idade pediátrica. Trata-se de uma doença crónica e recorrente de caráter inflamatório, que causa frequentemente um impacto psicológico muito negativo nas crianças e seus familiares, podendo levar a um elevado consumo de recursos de saúde. Assim sendo, qualquer terapêutica que possa prevenir as exacerbações surge como “arma” promissora. Este estudo mostra-nos que a evidência atual não recomenda o uso profilático de AH orais nos casos ligeiros a moderados de DA. Contudo, nos casos graves e com prurido intenso poderá ter utilidade, havendo, inclusive, evidência relativa à eficácia e segurança da cetirizina. Esta indicação deve, no entanto, ser interpretada com cautela uma vez que estudos mais robustos e com follow-up mais longo serão necessários para poder averiguar a verdadeira utilidade dos AH nesta entidade clínica.

 

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