Prescrição Racional

Guidelines para abordagem da DRGE


MGFamiliar ® - Tuesday, August 20, 2013

Por Mariana Rio, USF São João Porto

O American Journal of Gastroenterology publicou em fevereiro de 2013 as novas guidelines para o diagnóstico e abordagem da Doença de Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

Foi feita uma pesquisa bibliográfica na OVID Medline, Pubmed e ISI Web Science por revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos com data entre 1960 e 2011.

A DRGE é um conjunto de sintomas/complicações com etiologia no refluxo do conteúdo gástrico para o esófago, cavidade oral, laringe e pulmões. Os sintomas típicos são a dor torácica em queimor e regurgitação. Os sintomas atípicos são a dispepsia, dor epigástrica, náusea, aerofagia e distensão abdominal. A resposta ao tratamento com inibidores da bomba de protões (IBPs) permite considerar a DRGE como diagnóstico, porém com algumas limitações (sensibilidade-78%, especificidade-54%).

A escolha dos exames auxiliares de diagnóstico depende da história clínica: radiografia com bário nos casos em que há disfagia (não é para diagnóstico de DRGE), endoscopia digestiva alta (EDA) nos doentes com DRGE com sintomas graves, risco de esófago de Barrett (>50 anos, sintomas há mais de 5-10 anos, obesidade, homem), dor torácica não-cardíaca e que não respondem à prova terapêutica, a pH-metria se na presença de sintomas atípicos sem sintomas típicos ou DRGE refratária com EDA negativa (sem medicação), e a manometria esofágica apenas antes de cirurgia esofágica (excluir acalásia ou hipomotilidade grave). Não é recomendada a biópsia esofágica para diagnóstico de DRGE.

Na gravidez, o tratamento deverá ser baseado nos sintomas (com resolução após o parto). A endoscopia reserva-se para os casos com resposta refratária à terapêutica. Os IBPs são seguros na gravidez (nível moderado de evidência).

Recomendações gerais:

- perder peso;

- evitar tabaco, chocolate, bebidas gaseificadas e decúbito lateral direito;

- elevar cabeceira da cama, evitar refeições 2-3 horas antes de ir para a cama;

- IBP , qd, antes da 1ª refeição do dia, durante 8 semanas; se resposta parcial: ajustar a hora da toma ou tomar bid, duplicar a dose ou escolher outro IBP

A cirurgia pode ser uma alternativa terapêutica, não estando recomendada a sua utilização em doentes que não respondem à terapêutica com IBPs.

Comentário: A história clínica é a principal forma de diagnóstico, podendo ser complementada, pela endoscopia digestiva alta ou pH-metria. Destaca-se a importância do diagnóstico diferencial com dor torácica de origem cardíaca. Além disso, é necessário ter em atenção que uma prova terapêutica com IBPs negativa não exclui o diagnóstico de DRGE. Estas guidelines são um bom ponto de partida para a orientação de doentes com DRGE. Porém, a influência da dieta na sintomatologia é uma questão abordada de forma confusa e não foi explorado o papel do Helicobacter pylori e sua erradicação.

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