Prescrição Racional

HTA: tratamento intensivo versus padrão


MGFamiliar ® - Monday, October 16, 2017




Pergunta clínica: Em pacientes de elevado risco cardiovascular, o controlo intensivo da pressão arterial é mais eficaz na redução da morbi-mortalidade do que o controlo moderado?  

População: Doentes com idade ≥ 50 anos, com risco aumentado para eventos cardiovasculares (mas sem diabetes) e com pressão arterial sistólica  ≥ 130 mm Hg

Intervenção: Tratamento farmacológico anti-hipertensivo

Comparador: Tratamento intensivo com valor alvo de pressão arterial sistólica <120 mm Hg versus tratamento padrão com valor alvo de pressão arterial sistólica <140mmHg

Outcome: Enfarte agudo do miocárdio, síndrome coronário agudo, acidente vascular cerebral, morte por causa cardiovascular.

Desenho do estudo: Ensaio randomizado e controlado realizado nos Estados Unidos da América que incluiu 9361 doentes não diabéticos com idade ≥ 50 anos, com pressão arterial sistólica ≥ 130 e com risco aumentado de eventos cardiovasculares. Os participantes foram distribuídos por dois grupos: o grupo do tratamento intensivo (com valor alvo de pressão arterial sistólica  <120 mm Hg) ou o grupo do tratamento padrão (com valor alvo de pressão arterial sistólica  < 140mmHg). Os regimes anti-hipertensivos basais foram ajustados para o valor alvo de pressão arterial sistólica de cada grupo.

Resultados:  Após um ano, a média da pressão arterial sistólica no grupo do tratamento intensivo foi de 121,4 mm Hg e de 136,2 mm Hg no grupo do tratamento padrão. A média de medicamentos anti-hipertensivos usados foi de 1,8 comprimidos no tratamento padrão e 2,8 comprimidos no tratamento intensivo. O estudo (desenhado para 5 anos) foi interrompido precocemente (aos 3,26 anos) pela diferença significativa na morbilidade e mortalidade entre os dois grupos. Obteve-se uma taxa significativamente menor de eventos cardiovasculares no tratamento intensivo versus tratamento padrão (1,65% ao ano versus 2,19% ao ano). A mortalidade foi menor no grupo de tratamento intensivo (hazard ratio, 0,73; IC 95%, 0,60 a 0,90; P = 0,003). As taxas de eventos adversos (hipotensão, síncope, desequilíbrios eletrolíticos, lesão renal aguda ou falência renal) foram maiores no grupo de tratamento intensivo.

Comentário: Este ensaio indica que existem ganhos em saúde, ainda que com acréscimo de efeitos adversos, com uma pressão arterial sistólica <120 mm Hg em doentes com risco cardiovascular elevado. Isto não significa necessariamente que o mesmo se possa generalizar para os restantes hipertensos. Para além dos efeitos adversos citados acima deve ser salientado que nesta investigação clínica foram excluídos doentes idosos institucionalizados, doentes diabéticos e doentes com antecedente de acidente vascular cerebral. Sendo assim parece ser adequado delinear uma pressão arterial sistólica alvo à luz do estado da arte e individualizada ao doente. Neste ensaio 13% dos participantes mantiveram hábitos tabágicos e a maioria tinha excesso de peso ou obesidade o que reforça a importância da implementação das medidas não farmacológicas para reduzir a pressão arterial.

Artigo original:N Engl J Med

Por Joana Macedo, USF Entre Margens  





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