Prescrição Racional

Prevenção recorrência de AVC isquémico embólico de etiologia indeterminada


MGFamiliar ® - Sunday, August 26, 2018




Pergunta clínica: Nos doentes com acidente vascular cerebral isquémico embólico de origem indeterminada, o rivaroxabano será mais eficaz e seguro do que o ácido acetilsalicílico na prevenção do AVC recorrente?

População: doentes com AVC isquémico embólico recente e de etiologia indeterminada
Intervenção: terapêutica com rivaroxabano (15 mg)
Comparação: rivaroxabano (15 mg) vs ácido acetilsalicílico (100 mg)
Outcome:. recorrência de acidente vascular cerebral ou embolia sistémica

Enquadramento: O acidente vascular cerebral embólico de etiologia indeterminada representa cerca de 20% do total de AVC´s isquémicos e está associado a uma elevada taxa de recorrência. O rivaroxabano é um anticoagulante inibidor direto do fator Xa.

Desenho do estudo: Ensaio clínico controlado e randomizado. Critérios de inclusão: doentes com AVC isquémico recente (entre 7 dias e 6 meses antes do estudo) de causa embólica (sem estenose arterial, lacunar ou fonte cardioembólica identificada). Os pacientes foram aleatorizados e estratificados de acordo com o país e idade (<60anos vs >=60 anos) e distribuídos por dois grupos, com duas estratégias terapêuticas diferentes: um grupo foi medicado com rivaroxabano 15 mg + placebo por via oral, uma vez por dia; outro grupo foi medicado com AAS 100 mg + placebo por via oral, uma vez por dia. Avaliação aos 1, 6 e 12 meses relativamente à ocorrência de eventos adversos, adesão terapêutica, segurança e eficácia da medicação. O marcador primário foi a recorrência de acidente vascular cerebral (isquémico, hemorrágico ou indefinido) ou embolia sistémica no período em análise. E o marcador primário de segurança foi a taxa de hemorragia. Os marcadores secundários foram a morte por causas cardiovasculares, AVC's recorrentes, embolismo sistémico, enfarte do miocárdio, morte por qualquer causa, AVC incapacitante (4 ou 5 na escala de Rankin). O estudo decorreu durante cerca de 11 meses e terminou quando o risco de AVC foi superior ao benefício associado à toma de rivaroxabano. Dos 7213 participantes, 3609 receberam rivaroxabano e 3604 receberam ácido acetilsalicílico.

Resultados:. O desfecho primário de eficácia (recorrência de AVC de qualquer causa ou embolismo sistémico) ocorreu em 172 pacientes do grupo rivaroxabano e em 160 no grupo ácido acetilsalicílico (hazard ratio, 1.07; 95% confidence interval [CI], 0.87 to 1.33; P=0.52). AVC isquémico recorrente ocorreu em 158 pacientes do grupo rivaroxabano e em 156 no grupo ácido acetilsalicílico. A gravidade do AVC isquémico recorrente avaliada pela escala de Rankin foi semelhante em ambos os grupos. A hemorragia major ocorreu em 62 pacientes que tomaram rivaroxabano e em 23 nos do grupo ácido acetilsalicílico. A taxa de hemorragia fatal foi superior no grupo rivaroxabano em relação ao grupo ácido acetilsalicílico (hazard ratio, 2.72; 95% CI, 1.68 to 4.39; P<0.001).
Não houve diferença do rivaroxabano em relação ao ácido acetilsalicílico, no que diz respeito aos outros marcadores secundários de eficácia, nomeadamente AVC incapacitante, enfarte do miocárdio, morte por qualquer causa ou morte por doença cardiovascular.

Comentário: Este estudo não conseguiu demonstrar a superioridade do rivaroxabano em relação ao ácido acetilsalicílico no que diz respeito à prevenção de AVC's recorrentes após um acidente vascular cerebral embólico inicial de origem indeterminada. Esta é uma situação clínica que não inclui os doentes com fibrilhação auricular. 

Artigo original: NEJM

Por Marisa Gomes, USF Antonina 


 

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