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Parte IV – Problemas clínicos
4.7. Abordagem do paciente com problemas endócrinos,  metabólicos e da nutrição
277. Dislipidemias
Miguel Melo
Documento de trabalho
última actualização em Dezembro 2000

Contacto para comentsubidarios e sugestões: Gallego, Rosa

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Introdução
As alterações do metabolismo das lipoproteínas – dislipidémias (DL) - podem originar arteriosclerose prematura ou pancreatite. As DL podem ser classificadas como hipercolesterolémia (HC), hipertrigliceridémia (HTG), Hiperlipidémia combinada/mista e baixos níveis isolados de HDL-C. 
Existe HC quando o colesterol total (COL-T) é > 200 mg% e/ou LDC - C > 130 mg%. Existe HTG quando os TG > 200 mg%; baixos níveis de HDL-C é definido quando o seu valor é < 35 mg%. Estas definições são baseadas no risco aterogénico. Todas as DL podem ser primárias ou secundárias.
A DL é um distúrbio prevalente e comum na prática clínica. As alterações mais frequentemente encontradas são: aumentos isolados de colesterol, elevações de TG associado a baixos níveis de HDL-C, elevações simultâneas de colesterol e TG associado a baixos níveis de HDL-C e, por ultimo, baixos níveis isolados de HDL. 
O aumento dos níveis de LDL - C (ou COL-T), os baixos níveis de HDL-C e a relação COL-T/ HDL-C >4,5 constituem os mais importantes factores de risco da doença isquémica cardíaca (DIC). Níveis muito altos de TG acarretam um risco de pancreatite A HTG associada a baixos níveis de HDL ou a uma relação COL-T/ HDL-C > 4,5 poderão ter um papel importante na arteriosclerose.
Quando se detecta uma alteração dos valores das lipoproteínas, esta deve ser confirmada mediante uma seguida medição. Deverão ser medidas as diferentes fracções do colesterol e os TG de forma a confirmar e a caracterizar o perfil aterogénico das DL. Outros exames laboratoriais poderão ser requisitados de forma a investigar uma suspeita de DL secundária (20% dos casos)
Os indivíduos com DL devem ser avaliados clinicamente. Os objectivos desta avaliação são a avaliação do risco coronário global (identificação de outros factores de risco associados) e a detecção de eventuais doenças associadas. A exclusão de DL secundária e a identificação de formas familiares de DL devem estar sempre presentes na abordagem destes indivíduos.
Os objectivos terapêuticos a atingir dependem fundamentalmente da carga global de risco de DIC. A dieta é o pilar do tratamento. As modificações dietéticas (dieta hipolipídica) e a correcção dos outros factores de risco modificáveis deverão ser feitas a todos indivíduos de uma forma sustentada. A HTG responde frequentemente a um controlo de peso e à redução de ingestão de álcool.
O uso de fármacos para o controle de DL ficará reservado para alguns grupos de doentes na falência da abordagem não farmacológica. As estatinas são a droga de escolha se predominar a HC. As resinas são usadas para potencializar o seu efeito. Gemfibrozil e Fibratos são a droga de escolha quando existe elevações severas de TG.
O tratamento da DL em indivíduos com doença cardiovascular conhecida (Prevenção Secundária), origina benefícios clínicos, tem uma boa relação custo efectividade, sendo por isso fortemente recomendado. Nesse grupo de doentes, o tratamento farmacológico deverá ser considerado se o COL-T > 200 mg% ou LDL-C >130 mg%. O objectivo terapêutico ideal seria a obtenção de níveis séricos de LDL-C de 100 mg% (COL-T de 160 a 170 mg%).
O tratamento medicamentoso de DL em indivíduos sem doença cardiovascular (Prevenção Primária) poderá ter um boa relação custo-efectividade, se considerarmos apenas os tratamentos dos indivíduos com elevado risco global (múltiplos factores de risco associados) de DIC. Os homens de meia-idade e com mais de dois factores de risco associados, para além da DL, são os que mais beneficiam com a terapêutica hipolipemiante. Neste grupo de indivíduos com alto risco de DIC, o uso de fármacos pode ser considerado se o COL-T > 240 mg% (LDL-C >160 mg%). O objectivo é a obtenção de níveis séricos de COL-T de 200 mg% (ou LDL-C de 130 mg%).
O uso de fármacos ao nível de Prevenção Primária nos indivíduos com DL ligeira a moderada, idosos, mulheres pré menopausicas, adultos jovens e com poucos, ou nenhum, factor de risco é muito controverso devido à sua relação custo-efectividade.
A decisão de tratar a DL e a agressividade do tratamento farmacológico, deverá ser baseada na estratificação de risco de doença cardiovascular, de forma a obter uma maximização dos benefícios e uma melhor relação de custo efectividade.
A monitorização e a aderência à terapêutica são aspectos fundamentais para se conseguir os benefícios pretendidos.
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O problema na prática Clínica
As dislipidémias são distúrbios de metabolismo das lipoproteínas (LP) que incluem uma produção deficiente ou excessiva de LP. Porque os lípidos são praticamente insolúveis no plasma, eles circulam na corrente sanguínea sob a forma de complexos lipoproteicos ou lipoproteínas. As apoproteínas são as proteínas constituintes dessas LP plasmáticas. Desta forma o termo Hiperlipidémia e hiperlipoproteínemia (HLP) são usados como sinónimos. A DL é resultado de defeitos de alguns processos do metabolismo regulador das LP.
A DL caracteriza-se laboratorialmente por:
- Níveis séricos aumentados de colesterol total (COL-T), colesterol das lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C), Triglicéridos (TG)
- Baixos níveis de colesterol das lipoproteínas de alta densidade (HDL-C)
- Uma combinação destas alterações referidas (as alterações mais comuns são: elevações isoladas de COL-T, elevações de TG acompanhada de baixos níveis de HDL-C, elevações simultâneas de COL-T e TG com baixos níveis de HDL-C, baixos níveis isolados de HDL-C.)
A importância da DL reside no facto de esta ser um factor de risco importante das doenças vasculares, sendo mesmo o mais importante da DIC antes dos 50 anos. Níveis muito elevados de TG (>1000 mg%) acarretam um risco elevado de pancreatite aguda.
Embora o perfil da DL aterógenica seja identificado como um aumento do COL-T e/ou LDL-C, diminuição de HDL-C e aumento dos TG, é difícil separar as suas contribuições relativas para a aterogénese já que estas três anomalias estão metabolicamente interligadas. O aumento de LDL-C constitui um importante, senão o mais importante, factor de risco envolvido, motivo pelo qual é frequentemente designado como o alvo principal das terapêuticas de diminuição de risco de doença isquémica cardíaca (DIC).
Os dados epidemiológicos revelam:
- Por cada 1% de aumento do COL-T, o risco de DIC eleva-se de 2 a 3%.
- Existência de uma relação causal entre HC e a génese de DIC. A redução dos níveis de colesterol resulta num aumento da regressão e estabilização da placa aterosclerótica e é acompanhada de uma diminuição de incidência de DIC. A redução de 10% no COL-T resulta numa diminuição da taxa de incidência de DIC de 50% aos 40 anos de idade, de 40% aos 50 anos, de 30% aos 60 anos e de 20% aos 70 anos. O benefício máximo é observado no período de 5 anos. O tratamento com drogas hipolipemiantes parece ser acompanhado de uma redução do conteúdo lípidico da placa, tornando-a mais estável e menos susceptível à rotura.
Existe uma correlação inversa entre os níveis de HDL-C e a incidência de DIC. Níveis altos (>60 mg%) de HDL-C conferem um efeito protector; níveis baixos (<35 mg%) constituem uma importante causa independente de arteriosclerose. A relação COL-T/ HDL-C >4,5 e os baixos níveis de HDL-C são factores precisos na previsão do risco de DIC.
A evidência científica em relação aos TG é ainda insuficiente. Os TG isoladamente não parecem ser um factor de risco independente de DIC. É difícil dissociar os efeitos exercidos pelos níveis altos de TG e das outras lipoproteínas. Existe uma grande interacção entre os níveis de TG e o HDL-C; quase todos os doentes com aumentos de TG apresentam baixos níveis de HDL-C (quando tal não acontece devemos pensar em abuso do álcool). Por este motivo é fundamental na avaliação da importância da HTG o doseamento das outras fracções lipídicas. A combinação de aumento de TG com nível de HDL-C baixo e/ou uma relação COL-T/ HDL-C >4,5 estão associadas a um risco elevado de DIC. De facto o aumento de TG nas DL mistas e a sua associação frequente com o “síndroma de resistência à insulina” (hipertensão, diminuição da tolerância à glicose, obesidade central, hiperuricemia, baixos níveis de HDL-C) tornam-no num factor de risco de DIC. Níveis muito aumentados (> 1000mg%) de TG são de pancreatite aguda. De referir que as concentrações séricas de TG variam consideravelmente de dia para dia, o que limita na prática clínica a sua interpretação na predição do risco individual. 
Nas mulheres, baixos níveis de HDL-C e elevações de TG parecem ser um factor de risco de DIC mais importante que o COL-T.
As doenças do aparelho circulatório, fortemente relacionadas com os hábitos de vida da civilização ocidental, constituem o principal grupo de causas de morte na Europa e no nosso País. Em termos Europeus, Portugal ocupa um dos primeiros lugares na mortalidade por doença cerebrovascular apresentando inversamente uma das mais baixas taxas de mortalidade por doença coronária.
Em 1996 a DIC originou em Portugal cerca de 9400 óbitos (3ª causa de morte) e 23.500 internamentos.
De acordo com alguns estudos, incluindo estudos efectuados no nosso País, a prevalência global de HC é de 20 a 30%, sendo mais prevalente à medida que a idade avança.
Nos Cuidados de Saúde Primários as consultas relacionadas com a DL são muito frequentes. Num grande estudo efectuado em Portugal, as alterações de metabolismo lipídico representaram o 6º problema de saúde mais comum nas consultas de Clínica Geral.
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Definição

A definição de DL é arbitrária, já que na população geral as concentrações plasmáticas de COL-T e TG seguem uma distribuição contínua e relacionada com a idade e sexo. Não existe um limiar a partir do qual o valor de COL-T possa ser considerado prejudicial; o risco é contínuo e gradual existindo sobreposição dos valores de COL-T nos indivíduos com ou sem DIC (cerca de metade dos indivíduos com DIC têm valores de COL-T < 250 mg%).
O significado do termo DL e nomeadamente de hipercolesterolémia tem variado no seu significado ao longo das últimas décadas. Previamente o termo era reservado para um nível sérico de lípidos superior ao P95 da distribuição populacional. Hoje aceita-se como normal a concentração plasmática de lípidos, e particularmente de colesterol, que não implique um maior risco aterogénico. (Quadro I). Na prática define-se a hipercolesterolémia e hipertrigliceridemia quando os seus valores excedem os 200 mg%, embora estes valores, do ponto de vista estatístico, possam ser considerados valores normais superiores.
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Quadro I

Classificação dos valores (mg%) das lipoproteínas de acordo com nível de risco de doença

  COL-T LDL-C HDL-C TG
Desejável <200 <130 >60  <200
Elevado marginal 200 - 240 130-160 35-60 200 – 400
Elevado risco >240 >160 >35 >400

De acordo com o grau de risco, poderemos falar de:
- hipercolesterolémia ligeira (COL-T: 200-240 mg%): acarreta um ligeiro aumento (dobro) de risco de DIC;
- hipercolesterolémia moderada (COL-T: 240-300 mg%) já com valores de colesterol de alto risco e que condiciona um aumento de risco 2 a 4 vezes em relação ao risco basal;
- hipercolesterolémia severa (COL-T >300 mg%) com aumento de risco pelo menos 4 vezes superior ao risco basal;
- hipertrigliceridemia ligeira (TG: 200-400mg%), moderada (TG: 400-1000mg%) e severa (TG>1000mg%), esta última com risco de pancreatite elevada.
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Classificação

Existem vários sistemas de classificação das DL. Um dos mais conhecidos é o de Frederickson no qual a hiperlipidémia é classificada desde o fenotipo tipo I até ao tipo V (com uma subdivisão no tipo II) de acordo com a mobilidade electroforética das lipoproteínas dominantes.
Actualmente tende a utilizar-se as classificações clínicas das DL primárias que combinam o padrão fenotípico com o mecanismo genético ou genotipo que condicionam o aparecimento de DL (Quadro II)

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Quadro II

Classificação das dislipidémias primárias

Classificação Classe de Frederickson Desordem genética
Hipercolesterolémia (HC) IIa HC familiar
    HC poligénica
Hipertrigliceridémia (HTG) I, V HTG familiar
    Deficiência de lipoproteína lipase ou de Apo CII
Hiperlipidémia mista (HLP) IIb, IV HLP familiar combinada 
  III Disbetalipoproteinemia familiar 
Baixos níveis de HDL-C   Hipoalfalipoproteínemia

Para efeitos práticos a dislipidémia pode ser classificada de acordo com o padrão de alterações dos diferentes lípidos em hipercolesterolémia (COL-T>200 mg%, TG <200 mg%), hipertrigliceridemia (COL-T<200 mg%, TG>200 mg%), dislipidémia mista (Col -T>200 mg% e/ou TG>200 mg% e/ou HDL <35 mg%) e baixos níveis isolados de HDL-C (HDL-CL<35 mg%).
Embora existam múltiplas causas de hiperlipidémia, em geral elas caem em três categorias: dietéticas, primárias (isto é, sem causa conhecida, na maioria dos casos determinada geneticamente) e secundárias a outras condições.
Frequentemente, a DL é o resultado da combinação, no mesmo indivíduo, de factores determinantes tanto genéticos como ambientais (erros dietéticos, obesidade, álcool, etc.). As DL dietéticas tendem a ser ligeiras enquanto as HL genéticas tendem a ser graves.
As DL dietéticas apresentam-se com elevações moderadas dos valores de lípidos e poderão manifestar ou agravar uma DL genética. Os valores de COL-T aumentam com dietas ricas em gorduras saturadas e, em menor grau, com dietas ricas em colesterol. Excessos dietéticos de calorias totais, carbohidratos e etanol poderá, em alguns indivíduos, provocar um aumento de TG. A obesidade e o sedentarismo agravam o perfil lipídico. Os desvios dietéticos actuam como factores favoráveis para o aparecimento de DL num indivíduo com predisposição genética.
As DL Primárias (genéticas) apresentam, de uma maneira geral, valores mais elevados dos lípidos, por vezes com sinais clínicos associados(ex. xantomas), podendo existir história familiar de DL ou DIC prematura.
Existem vários tipos de DL genética. A forma de transmissão poligénica é muito mais frequente que a transmissão monogénica (transmissão familiar com um único mecanismo genético). As DL genéticas mais frequentes são, por ordem de frequência:
- HC poligénica: estima-se uma prevalência de 5%. A sua transmissão é multifactorial, apresentando-se com níveis muito elevados de COL-T com TG normais ou ligeiramente aumentadas e não apresenta alterações cutâneas. DIC prematura é comum.
- HL familiar combinada: caracteriza-se por elevações de COL-T, TG, ou ambas, em diferentes membros da mesma família. A sua prevalência estimada é de 1,5 % na população geral; associa-se a uma incidência de DCI três a quatro superior vezes à população geral. 
- HTG familiar: aparece com uma prevalência de 1% e provoca níveis elevados ou muito elevados de TG. Raramente provoca xantomas eruptivos. O risco de pancreatite aguda é elevado e o risco DCI na HTG isolada não parece ser elevado.
- HC familiar: apresenta-se com níveis muito elevados de COL-T e a sua prevalência é de 0,1 a 0,5%. Os doentes homozigotos apresentam xantomas tuberosos e tendinosos, podendo apresentar DCI antes da 3ª década. Os heterozigotos apresentam um envolvimento menos grave e a DCI pode aparecer na 4ª década de vida.
A natureza destes factores genéticos não é ainda completamente conhecida. A diminuição da actividade dos receptores de LDL, uma anormal conversão de VLDL em LDL e alterações do metabolismo das VLDL são alguns dos defeitos de processo regulador do metabolismo das lipoproteínas identificados. Segundo alguns autores a influência genética é responsável por 80% dos casos de DL.
As DL Secundárias são o resultado de vários distúrbios metabólicos ou do uso de certas drogas e podem agravar uma DL genética. A DL secundária não é rara (cerca de 20% do total) e a sua identificação irá permitir um tratamento mais correcto e eficaz.
Geralmente as alterações lipídicas regridem com o tratamento do processo desencadeante. São muitas as situações que podem originar DL Secundárias (Quadro III).
Algumas situações podem aparecer com maior frequência de associação com HC (ex. hipotiroidismo, colestase, síndroma nefrótico) ou com hipertrigliceridemia (excesso álcool, diabetes, insuficiência renal crónica, estrogéneos), mas existem muitas excepções. Embora não seja obrigatório excluir todas as condições subjacentes de DL secundárias, o clínico deverá considerar esta possibilidade quando o contexto clínico o justifique, como seja o caso de uma DL resistente à medicação e/ou com estigmas da doença subjacente. A alteração do metabolismo dos carbohidratos (diminuição da tolerância à glicose, Diabetes, resistência à insulina) parece ser a causa mais frequente de DL secundária.
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Quadro III

Dislipidémias secundárias mais comuns

Causa Efeitos nas LP Verifique
Diabetes aumento TG; aumento CT; (diminuição HDL) Glicemia; HgAl
Obesidade aumentoTG; diminuição HDL Peso; IMC
Álcool aumentoTG; (aumento HDL)  Hx; VGM, TGO,g-GT
Hipotiroidismo aumentoCT; aumentoTG TSH, T4
Doença renal  aumentoCT; aumentoTG Provas função renal
Obstrução hepática aumentoCT Provas função hepática
Fármacos   Hx de ingestão
Anabolizantes; Tiazidas  aumentoCT; diminuição HDL  
Progesterona; beta bloq.    
Estrogeneos; ticlopidina; resinas aumentoTG  

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Avaliação Diagnóstica
O diagnóstico é feito a partir da avaliação dos lípidos no sangue, já que a maioria dos doentes com DL são assintomáticos e não apresenta sinais clínicos específicos.
Considera-se que existe alterações dos valores dos lípidos quando o COL-T > 200 mg (ou LDL-C > 130) e/ou TG > 200 e/ou HDL-C < 35. Após a análise destes valores, poderemos classificar a DL em hipercolesterolémia, hipertrigliceridémia, hiperlipidémia mista e hipoalfalipoproteinemia (baixos níveis HDL).
Devido à variabilidade biológica e laboratorial na avaliação dos lípidos (a variação pode ser de +/- 20 mg% ou mais) são necessárias duas a três avaliações em diferentes amostras de sangue de forma a obter valores precisos em cada indivíduo. As avaliações são feitas com intervalos de 1 a 2 meses numa amostra de sangue venoso obtido em jejum de 12 horas, pelo menos.
Se o objectivo é identificar DL nos indivíduos assintomáticos (rastreio), apenas deverá ser doseado o valor do COL-T sérico. Nas situações de hipercolesterolémia ou de maior risco coronário global, deve proceder-se a uma determinação mais completa dos lípidos séricos.
Nestas situações deve medir-se, além do OL-T, o HDL-C e os TG. A determinação do LDL-C poderá ser medida de uma forma directa ou calculada através da fórmula de FriedWald (válida para valores de TG < 400 mg%) do seguinte modo:

LDL-C = COL-T - HDL-C - TG/5

Nos doentes com enfarte agudo do miocárdio, os lípidos plasmáticos diminuem em consequência da doença aguda. Uma vez que estas alterações poderão ter uma duração de três meses, só após este período é que os lípidos podem ser avaliados com segurança.
A DL poderá, em raras situações genéticas, acompanhar-se de xantelasmas e xantomas (algumas formas genéticas monozigóticas, deficit familiar de lipoproteína lipase, etc.).
Com o tratamento pode assistir-se a uma diminuição destes depósitos lipídicos cutâneos e tendinosos. No entanto, a grande maioria das DL genéticas não apresentam manifestações cutâneas. 
Apesar da DL raramente se apresentar com sinais clínicos específicos, todos os indivíduos com DL devem ser avaliados clinicamente. Os objectivos desta avaliação são a obtenção de elementos que permitam caracterizar se se trata de uma DL primária ou secundária, caracterizar melhor o risco coronário global e estudar o seu estado de saúde cardiovascular (presença de doença cardiovascular) entre outros.
Na avaliação do doente com DL deveremos ter em conta os seguintes aspectos:
1. Colheita da história familiar de dislipidémia;
2. Excluir DL secundária: representa cerca 20% do total das dislipidémias;
3. Avaliar o risco aterogénico da DL: valores de COL-T, LDL-C, HDL-C,TG, relação COL-T/HDL;
4. Avaliar risco global de DIC: idade, tabagismo, HTA, diabetes mellitus, níveis de HDL-C, história familiar de CI prematura. Os factores de risco de cardiopatia isquémica devem ser utilizados para decidir o tipo e a intensidade do tratamento;
5. Identificar eventuais consequências das DL: cardiopatia isquémica, arteriopatia periférica, pancreatite, xantomas.
6. Orientação no tratamento: orientação na escolha do tratamento mais adequado ao indivíduo tendo em conta o seu estilo de vida, hábitos dietéticos, peso, doenças associadas e eventuais contra indicações dos fármacos.
Os valores dos lípidos isolados não são suficientes para avaliação do risco de doença coronária. É fundamental quando se procede à estimativa do risco de DIC no indivíduo, considerar todos os factores de risco (Quadro 4) de forma a avaliarmos a carga global de risco de DIC. 
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Quadro IV 

Factores de risco da doença coronária (para além do colesterol)

idade: h > 45 anos; f > 55anos
história familiar de DC prematura
tabagismo
HTA
Diabetes mellitus
HDL-C: baixo (< 35 mg %)- factor de risco positivo 
elevado ( >60 mg %)- factor de risco protector

Nota: todos os doentes com doença coronária isquémica são considerados de alto risco

Os que apresentam um risco global mais elevado devem receber um tratamento hipolipemiante mais agressivo, para além da correcção dos outros factores de risco.
No caso dos indivíduos com COL-T elevado são identificados três categorias de risco de DIC:
1. risco muito elevado: inclui doentes com cardiopatia isquémica prévia ou outras doenças ateróscleroticas (doença vascular periférica, doença carotídea sintomática);
2. risco elevado: inclui doente sem evidência de cardiopatia isquémica mas que apresentam HC, juntamente com mais de dois factores de risco atrás descritos.
3. baixo risco: inclui doentes com HC, mas com menos de dois factores de risco (homens adultos jovens, mulheres pré menopausicas).
Esta estratificação de risco é fundamental para o custo efectividade da abordagem terapêutica.
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Possibilidade de intervenção em MGF
Quando se fala do tratamento da DL é importante distinguir dois aspectos.
Se o principal objectivo da correcção da DL é reduzir o risco de desenvolver doença coronária (ou outras formas de doença aterosclerótica vascular) no indivíduo são, o tratamento é denominado “prevenção primária”.
Se o tratamento hipolipemiante é efectuado em doentes com doença coronária conhecida (ou outras formas de doença aterosclerótica vascular), com o objectivo de reduzir a morbimortalidade por DIC e prolongar a sobrevivência, o tratamento é denominado de “prevenção secundária”.

Os benefícios do tratamento

O tratamento de dislipidémia em indivíduos com doença coronária (DIC) conhecida, isto é, prevenção secundária, é efectiva na prevenção de enfarte e/ou morte cardiovascular (NNT em cinco anos = 15) e morte por todas as causas (NNT em cinco anos = 41). Existe uma redução relativa de risco na ordem dos 25 a 40% e uma redução absoluta de risco de 3 a 7% dos diversos eventos adversos coronários quando se obtém uma redução de colesterol total de cerca de 25-30%. Estudos mais recentes, usando estatinas, revelam maiores benefícios em menor tempo. Os valores dos NNT (2,9 anos) com as estatinas na Prevenção Secundária são: NNT:14 (IC.13-16) para prevenir um evento cardiovascular; NNT de 33 (IC:28-42) para prevenir uma morte.
Ao nível de prevenção primária (indivíduos sem DIC conhecida e com dislipidémia) o tratamento hipolipemiante origina benefícios clínicos, embora de menor magnitude. O tratamento na prevenção primária, é efectivo na prevenção de enfarte e/ou morte cardiovascular (NNT em 5 anos = 53) originando uma redução relativa de risco na ordem dos 20 a 30% e uma redução absoluta de 1,6% dos diversos eventos adversos coronários
Estudos mais recentes, usando estatinas, demonstraram benefícios mais vantajosos. Revelaram, de uma forma pioneira, uma pequena (0,5%) redução absoluta da mortalidade total (NNT em 4,6 anos = 107; IC:58-617), estatisticamente significativa. O NNT em 4,6 anos para prevenir um evento cardiovascular é de 48 (IC:32-95).
A redução de COL-T em doentes com ou sem DC é eficaz e segura. No entanto, o tratamento para todos os indivíduos não é sustentável nem equiparável. O custo efectividade deverá ser tido em conta antes de iniciarem o tratamento, devendo o tratamento farmacológico ser reservado para os indivíduos de maior risco.
Na prevenção secundária os benefícios obtidos com a correcção da DL são substanciais com uma relação custo efectividade comparável, ou melhor, a outras intervenções preventivas padronizadas. 
A prevenção primária é explicitamente menos custo efectiva que a prevenção secundária; no entanto, quando se consideram os doentes homens de meia-idade com os níveis de colesterol mais elevados e múltiplos factores de risco para a DC, a relação custo eficácia na terapêutica é vantajosa. A situação é menos clara para pacientes de baixo risco como mulheres pré menopausicas, idosos e homens com DL ligeira sem, ou com poucos, outros factores de risco.
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Tratamento
Modificações no estilo de vida

1. Tratamento dietético
Todos os doentes com DL devem receber inicialmente um aconselhamento dietético já que a dieta é a base do tratamento. A modificação dietética irá depender do tipo de DL e da presença de outros factores de risco tais como HTA, obesidade, etc.
A dieta (nível 1) para reduzir os níveis de colesterol sérico deverá ser introduzida gradualmente de forma a reduzir a ingestão de gorduras(<30% das calorias totais), reduzir a ingestão de gorduras saturadas (<10% do total de calorias), redução de ingestão de colesterol (menos 300 mg/dia) e redução de calorias totais (no caso da obesidade). Isto pode ser alcançado através da redução de ingestão de gorduras de lacticínios (leite inteiro, queijo gordo, gelados, manteiga), gorduras visíveis de carnes gordurosas (ex. bovinos), vísceras, ovos (gema), bolos e biscoitos. Para além disso deverá existir uma substituição de gorduras saturadas por gorduras poli e mono insaturadas de fontes vegetais e marinhas. Deve existir aumentos de ingestão de consumo de frutas frescas, fibras e vegetais. Os carbohidratos complexos devem substituir os açúcares simples.
A hipertrigliceridemia responde frequentemente a uma restrição calórica e de álcool. Com uma dieta bem planeada poderá obter-se uma redução de COL-T que varia entre os 4 e os 15%. Alguns estudos mostraram benefícios clínicos com a dieta.
Após o início desta dieta o doente deve de ser testado em relação às lipoproteínas, 6 semanas e 3 meses mais tarde para verificar se os objectivos do tratamento foram alcançados. Caso isto não tenha ocorrido, o doente deve prosseguir com uma dieta (nível 2) que reduz ainda mais a ingestão de ácidos gordos saturados (< 7%) e colesterol (<200 mg/dia). Esta segunda etapa de dieta deve ser continuada por 3 meses adicionais. Se os objectivos são alcançados a dieta deve continuar por tempo indefinido; caso contrário os fármacos hipolipemiantes devem ser considerados, justificando-se o seu uso nas concentrações de lípidos plasmáticos e na carga de risco global de DC presentes em cada indivíduo.
Na prevenção secundária deve ser iniciada logo a dieta máxima (nível 2) e o período de observação poderá ser menor. Por vezes é necessário a colaboração de um dietista, particularmente para as dietas mais intensas.

2. Exercício Físico/ actividade física
Independentemente da redução ponderal, o exercício aeróbico regular melhora o perfil lipídico indesejável e diminui o risco de DIC. A actividade física deverá ser moderada mas de longa duração. Poderá ser aconselhado 30 a 60 minutos de actividade física moderada 4 a 5 vezes por semana. (caminhar, «jogging», outras actividades aeróbicas) e a aumentar as actividades diárias (andar após as refeições, utilizar escadas, jardinagem etc.). A actividade física deverá ser adaptada à idade do indivíduo, à capacidade física e cardiovascular e também aos seus interesses.
Para os doentes com doença cardíaca deverá existir uma supervisão médica multidisciplinar. 

3. Correcção do peso corporal
A obesidade abdominal é, através das suas consequências metabólicas, uma causa importante de muitos outros factores de risco (diabetes, hipertensão, TG, HDL) implicados na DIC. Embora seja difícil separar os efeitos metabólicos da perda de peso dos efeitos metabólicos do exercício físico, os doentes obesos que perdem peso têm uma melhoria nos valores de LDL, TG e HDL para além de uma melhoria noutros factores de risco (pressão arterial, glicose, pós prandial).

4. Tabagismo
O tabagismo, mesmo que moderado, origina reduções nos valores de HDL-C e aumento de risco de DIC. Por este motivo deve ser fortemente recomendada a abstinência total a todos os fumadores com DL. Com a cessação dos hábitos tabágicos, os níveis de HDL-C retomam aos seus níveis de pré fumadores ao fim de 60 dias e o risco de doença coronária é grandemente diminuído a longo prazo.
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Tratamento medicamentoso
Já que as modificações dietéticas raramente reduzem os níveis de COL-T em mais de 10 a 15%, os fármacos hipolipemiantes poderão, em certas circunstâncias e só para alguns doentes, ser usados se os lípidos se mantiverem elevados, após 3 a 6 meses de dieta. 
Deverá ser reforçada a ideia que a medicação não é substituto da dieta. 
O Quadro 5 descreve, de uma forma simples e prática, as indicações farmacológicas e os objectivos a atingir na abordagem da DL. A importância de prestar atenção a todos os factores de risco e a avaliação do risco total/global é fundamental para ajustar os limites da intervenção.
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Quadro V

Objectivos e indicações farmacológicas
(após 3 a 6 meses de dieta) da correcção da dislipidemia de acordo com o grau de risco global de doença coronária

Grau de Risco* Indicação farmacológica** 
COL-T (LDL) mg%
Objectivo terapêutico
COL-T (LDL) mg%
Muito elevado (com DIC)  >200 (>130) <170 (<100) 
Elevado (>2 FR) >240 (>160) <200 (<130)
Ligeiro (<2FR) >300(>190) <240 (<160) 

* Risco de DIC ao longo de 10 anos: Muito elevado > 40%; elevado > 20%; ligeiro < 20% 
** A decisão terapêutica perante valores de COL-T (ou LDL) situados entre os objectivos terapêuticos e indicação farmacológica deverão ser discutidos caso a caso

Deverá ser avaliado adequadamente o presumível benefício da medicação, em contraposição com o seu risco inerente, pois o tratamento deverá, em princípio, manter-se por toda a vida.
Dada a heterogeneidade das DL não existe um único medicamento válido para todos os distúrbios lípidos.
Devemos seleccionar fármacos que tenham dado provas de redução de morbimortalidade cardiovascular, durante períodos de tempo suficientemente prolongados. As resinas permutadoras de iões, os inibidores de HMG-CoA redutase (estatinas) e os derivados do ácido fibrico/ fibratos (gemfibrozil) deram já provas dos seus benefícios clínicos.

1. Resinas permutadoras de iões incluem a colestiramina e o colestipol. Estes fármacos ligam-se a ácidos biliares no lúmen intestinal e impedem a sua reabsorção pelo intestino, o que condiciona um aumento da actividade dos receptores LDL.
A colestiramina em dose diária de 8 g (2 carteiras) ou o colestipol na dose diária de 10 g (2 carteiras) provocam reduções no LDL-C de 15-25%.
As resinas são fármacos não absorvíveis e portanto com poucos problemas de toxicidade sistémica. Apresentam, no entanto, importantes efeitos a nível gastrointestinal tais como dispepsia, náuseas, distensão abdominal e obstipação. Para evitar estes efeitos é aconselhável iniciar o tratamento com doses baixas e repartido por várias tomas. A tolerância é melhor com o colestipol. As resinas podem interferir com a absorção de drogas ácidas e podem elevar os níveis de TG, estando por isso contra-indicadas na HTG.
A principal indicação das resinas, como agente único, é a correcção de elevações moderadas de COL-T ou LDL-C. Poderá ser usada nos doentes mais jovens, onde se prevê uma terapia a longo prazo e se deseja uma droga “não sistémica”. Em combinação com outras drogas hipolipemiantes (ex. estatinas), as resinas potencializam a sua acção de redução do colesterol sem o aumento de efeitos colaterais séricos.
Estas drogas têm sido abandonadas como 1ª linha, devido aos seus efeitos indesejáveis e à fraca comodidade posológica. O seu uso tem sido reservado para a associação ou quando existem contra-indicações a estatinas.

2. Inibidores da HMG-CoA redutase (estatinas) bloqueiam parcialmente a síntese hepática de colesterol e, deste modo, aumentam a actividade dos receptores de LDL. Em graus diferentes, as estatinas reduzem o COL-T (de 15 a 30%), o LDL-C (de 20 a 40%), os TG (10 a 40%) e provocam um ligeiro aumento das HDL-C (de 5 a 10%). O efeito redutor máximo nas LDL-C é alcançado ao fim de 3 semanas após o inicio do tratamento.
As estatinas demonstraram, de uma forma credível, uma redução significativa de eventos cardíacos major e uma redução significativa de mortalidade total, sem evidência clara de aumento de malignidade ou morte acidental. À luz destes conhecimentos, as estatinas são os fármacos de referência e os mais potentes, quando se pretende reduzir os níveis de colesterol.
Estes agentes são bem tolerados. Os efeitos adversos mais comuns, pouco importantes e limitados, são os gastrointestinais (dispepsia, alterações dos hábitos intestinais) e as cefaleias que ocorrem em 1 a 3 % dos doentes. Clinicamente os efeitos adversos mais importantes são a miopatia e a hepatotoxicidade. Um pequeno número de doentes (< 1%) desenvolve toxicidade hepática, que poderá ocasionar a suspensão do tratamento se os níveis de transaminases excederem o triplo de seu valor de referência. A miopatia, efeito colateral raro (<0,5%), é dose-dependente e mais frequente com a associação das estatinas com os fibratos. A miopatia ocorre tipicamente sob uma de três formas: dor e fraqueza muscular, níveis de creatina cinase moderadamente elevados ou ambos. A combinação de estatinas com as resinas, altamente eficazes e úteis na hipercolesterolémia grave, não aumentam o risco de miopatia.
As estatinas existentes no nosso país são a lovastatina, pravastatina, simvastatina, fluvastatina e a atorvastatina. Devem se dadas numa dose única, com a refeição da noite ou ao deitar, de forma a maximizar o seu efeito hipolipemiante. As doses iniciais podem ser duplicadas quando administradas para a hipercolesterolémia grave.
As estatinas que deram prova da sua eficácia clínica foram a pravastatina (Prevenção Primária e Secundária), a simvastatina (Prevenção Secundária) e ultimamente a lovastatina (Prevenção Primária). A fluvastatina é a droga desta classe com o custo mais baixo. A atorvastatina, que é a estatina mais potente nas doses equivalentes, provoca uma maior redução nos TG do que as outras estatinas. Neste momento não existem comparações directas da efectividade clínica das cinco estatinas.

3. Fibratos A sua principal acção é uma redução marcada dos TG (de 30 a 50%) e um aumento importante nas HDL-C (de 10 a 15%), embora em alguns casos possam reduzir o LDL-C (de 0 a 15%). O gemfibrozil é um ácido fíbrico semelhantes a outros fármacos desta classe como o bezafibrato, ciprofibrato, fenofibrato. A dose de gemfibrozil é de 600 mg duas vezes ao dia; os outros fibratos são de dose única, nocturna. Os principais efeitos colaterais são o desconforto gástrico, miopatia, hepatotoxicidade e maior propensão para litíase biliar.
Estes fármacos são usados basicamente no tratamento da hipertrigliceridemia grave e severa, com o objectivo de reduzir o risco de pancreatite. Apesar de algumas evidências que os fibratos podem reduzir a taxa de DIC, quando há a combinação de HTG com outras alterações desfavoráveis dos lípidos, não existem provas sólidas da redução da mortalidade global, o que leva muitos investigadores a questionar o seu interesse. Alguns estudos favorecem o uso de fibratos no tratamento de HTG moderada, principalmente se associados a baixos níveis de HDL. O gemfibrozil é o fármaco, desta classe, com provas mais sólidas dos seus benefícios clínicos, nomeadamente na redução da morbimortalidade coronária.

4. Outros fármacos
Terapêutica hormonal de Substituição (THS). Embora sem indicação formal como agente hipolipemiante, a THS pode ser proposto nas mulheres pós-menopausicas como alternativa, ou complemento, do tratamento medicamentoso da DL.
A THS com estrogénios isolados ou em combinação com a Progesterona provoca elevações de HDL-C (8 a 20%) e redução de LDL-C (até 15%). A elevação da HDL-C é normalmente maior quando se usa apenas estrogénios. A redução de DIC com THS não está demonstrada em ensaios clínicos.
Niacina ou Ácido nicotínico. Talvez uma das drogas com uma actuação mais completa nas diferentes fracções lipídios (redução de LDL-C e TG, aumento de HDL-C,).Em Portugal não existem medicamentos com ácido nicotínico isolado. Os seus importantes efeitos adversos têm limitado o seu uso.
Probucol: Provoca reduções de LDL-C mas também nas HDL-C com implicações a longo prazo não esclarecidas. A sua eficácia na redução da incidência de DIC não está demonstrada. Apresentas alguns efeitos secundários digestivos e metabólicos importantes.
O tratamento varia de acordo com o tipo de DL:
Controle da Hipercolesterolémia (HC)
Na HC ligeira (<240), as modificações dietéticas, o exercício e, quando necessário, a redução de peso poderão normalizar os valores de COL-T.
Na HC moderada (240-300), para além do tratamento não farmacológico, o uso de estatinas poderá ser suficiente.
Na HC severa (>300), poderão ser usadas estatinas em doses elevadas juntamente com resinas. Os casos de difícil controlo devem ser referenciados.
Controle da Hipertrigliceridemia (HTG)
Para doentes com HTG ligeira a moderada, a redução de peso, a diminuição de ingestão alcoólica e de carbohidratos e a correcção de eventuais causas secundárias revela-se eficaz. Para muitos doentes não é necessário medicação. Quando a HTG é severa, os fibratos são a droga de eleição, tendo em vista a prevenção de pancreatite.
No caso da HTG importante associada a baixos níveis de HDL-C e a um risco global de DIC elevado, os fibratos (ex. gemfibrozil) podem ser utilizados para a correcção das alterações lipídicas. 
A HTG é muitas vezes secundária a outros processos, pelo que se deve excluir as principais causas de HTG secundária.
Controlo de DL Mista
Nestes casos, as estatinas ou os fibratos podem ser usados, consoante a perturbação lipídica mais importante e dos objectivos terapêuticos que se pretendem atingir. A associação de estatinas com fibratos, nos casos mais graves, deverá ser usada com cautela devido ao risco de miopatia. A fluvastatina parece ser a estatina, quando associada aos fibratos, com menor risco de miopatia, 
A atorvastatina, em doses mais elevadas, poderá provocar uma redução de TG de tal ordem que não seja necessária a associação com fibratos.
Controlo da Hipoalfalipoproteínemia (baixos níveis isolados de HDL-C)
O tratamento de primeira linha para um HDL-C baixo (<35mg%) é a correcção de eventuais causas (tabagismo, obesidade, falta de exercício, diabetes não controlada, HTG e uso de bloqueadores beta).
O tratamento de HDL-C baixo isolado, na ausência de causas conhecidas e de outros factores de risco, não têm justificação. Em doentes de alto risco de DIC, as estatinas ou o gemfibrozil podem ser considerados, embora não existam estudos que provem quais os seus benefícios clínicos. A THS poderá ser utilizada em casos seleccionados.
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Objectivos do tratamento
Habitualmente é utilizado o valor do LDL-C nas recomendações dos objectivos a atingir. Embora o valor LDL-C seja o valor isolado mais importante na previsão de risco de DC, o valor de COL-T é um substituto razoável. Por isso, várias organizações usam o valor do COL-T nas suas recomendações (em vez do valor de LDL-C) por acreditarem ser mais simples para o clínico, já que é o valor que habitualmente se mede na prática clínica. Por este motivo os objectivos do tratamento apresentados aqui serão baseados no valor do COL-T; apresentam-se também os valores de LDL-C a acompanhar os valores de COL-T. 
O tratamento deverá corrigir o perfil lipídico indesejável em vez de reduzir apenas o COL-T, não esquecendo que a previsão de risco pode ser melhorada tendo em conta o nível de LDL-C, HDL-C, TG e relação COL-T/HDL-C.
Que níveis de colesterol sérico deveremos atingir com o tratamento? Não existem dados que nos possam definir com exactidão até que nível que se deverá reduzir o colesterol na prevenção Primária e Secundária de DIC.
Prevenção Primária: os níveis de redução de colesterol a atingir com o tratamento são polémicos.
Devem iniciar tratamento dietético para redução de colesterol os indivíduos sem DIC com valor de COL-T > 240 (LDL > 160) ou os que apresentam COL-T >200 ( LDL> 130) e mais de dois factores de risco l. 
O aconselhamento dietético é sempre o tratamento de primeira linha. 
Os objectivos do tratamento na Prevenção Primária são a redução do COL-T para níveis inferiores a: 
a) 240 mg/dl quando estão presentes menos de dois factores de risco; e 
b) 200 mg/dl caso existam mais de dois factores de risco para cardiopatia isquémica (Quadro V). 
Caso persista um valor de colesterol elevado após 6 meses de correcção dietética, deve ser proposta a possibilidade de tratamento farmacológico para os indivíduos com: 
a) múltiplos factores de risco para DIC e COL-T > 240 mg/dl (LDL>160); ou 
b) formas graves de hipercolesterolémia com valores de COL-T > 300 (LDL entre 190 e 220) (Quadro V). 
O objectivo a atingir num indivíduo com HC e múltiplos factores de risco é de COL-T = 200 (LDL-130). Se com o tratamento dietético o valor de COL-T se situa entre os 200 e os 240 (LDL 130-160), o tratamento farmacológico poderá não ser utilizado, salvo nos casos de maior risco de DIC (ex. Diabéticos).
O tratamento medicamentoso nos homens adultos jovens <35 anos e nas mulheres pré-menopausicas poderá ser adiado ou, em caso de dúvida, a decisão deverá ser ponderada caso a caso numa consulta especializada de lípidos.
Prevenção Secundária: Nos doentes com DIC os dados sugerem que existem benefícios à medida que o COL-T diminui abaixo dos 200 (LDL - 130). De facto nos indivíduos com DIC, o uso de estatinas, mesmo com níveis de colesterol normal, parecem reduzir o risco de progressão da doença isquémica cardíaca e de AVC. Talvez este facto se relacione com outras propriedades do fármaco (antitrombóticas) ainda não completamente conhecidas. No entanto os objectivos (Quadro V) a atingir na prevenção secundária são arbitrários e não completamente baseados nas evidências. Não existe um valor abaixo do qual não se obteria um efeito preventivo.
Devem iniciar tratamento dietético para redução de colesterol os indivíduos com DIC ou outras doenças ateroscleróticas com valor de COL-T >170 (LDL>100). Deve ser utilizado um tratamento dietético máximo com objectivo de reduzir o COL-T para 170 ou menos. 
Deve ser considerada a possibilidade do tratamento medicamentoso nos indivíduos com DIC ou outras doenças ateroscleróticas, se o valor de COL-T > 200 (LDL>130) após 3 meses de dieta máxima (Quadro 5). 
No caso do COL-T se situar entre os 170 e os 200 (LDL entre 100 e os 130) com uma dieta máxima, é necessário decidir caso a caso a necessidade de prescrição ou não de fármacos. Um valor de COL-T até 200 (LDL: 100 a 130) é aceitável em algumas situações: doentes que necessitem de doses altas ou um tratamento combinado; existência de maior risco de efeitos colaterais para se atingir valores mais baixos. 
Esta intervenção a nível dos lípidos deverá ser sempre acompanhada do controle e tratamento de outros factores de risco modificáveis. Reduções modestas nos múltiplos factores de risco associados (HTA; tabagismo, etc.) terão um efeito mais eficaz na redução de risco de DIC que uma redução muito agressiva de um único factores de risco ignorando os outros.
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Controle do doente e follow-up
A vigilância do doente com DL deve ser periódica, não só por se tratar de uma situação crónica, mas também pela possibilidade de complicações da própria DL e da terapêutica.
A informação sobre o significado da DL e o aumento de risco que esta implica deverá ser compreensível e fornecida a todos os doentes. No seguimento do doente deve insistir-se sempre na necessidade da adesão às modificações dietéticas e dos estilos de vida, mesmo nos casos em que o uso de fármacos se justifique.
Até à obtenção de valores lipídicos aceitáveis, recomenda-se uma vigilância mais apertada (3/3 meses). Nos casos de boa resposta ao tratamento devem realizar-se controles periódicos mais espaçados (2 a 3 vezes por ano) com uma reavaliação anual mais completa. Estas reavaliações incluem, para além da verificação do cumprimento da terapêutica não farmacológica e farmacológica, o doseamento completo dos lípidos, monitorização dos efeitos secundários dos fármacos e de outros factores de risco de DIC presentes.
Não podemos esquecer que as taxas de abandono e interrupção de terapêutica hipolipemiante são relativamente altas. Ao fim de um a dois anos, as taxas de abandono situam-se entre os 5 e os 50% perdendo-se assim os benefícios do tratamento.
As causas identificadas para a não adesão à terapêutica são a ausência de sintomatologia, o desconhecimento do doente das relação entre a DL e a DIC, a desconfiança dos benefícios do tratamento, o medo das reacções adversas, o esquecimento e o custo do medicamento. A identificação dos doentes não cumpridores (ex. mau controlo da DL, confissão do doente) e a sensibilização destes para a aderência ao tratamento é fundamental para se conseguir os benefícios clínicos desejados.
Perante um DL grave e/ou DL resistente à medicação, o doente deverá ser referenciado a consulta especializada de forma a ser sujeito a estudos mais detalhados.
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Erros e limitações
Devido ao facto de a maior parte dos estudos serem realizados predominantemente com indivíduos do sexo masculino de meia-idade, surgem alguns problemas de generalização dos resultados para idosos, mulheres e adultos jovens. Os benefícios ou inconvenientes do tratamento farmacológico nestes grupos de doentes não estão inteiramente conhecidos. 
No entanto, após análise mais detalhada, alguns autores afirmam que:
- Na prevenção secundária os benefícios da redução de eventos cardiovasculares poderão ser generalizados aos idosos e eventualmente às mulheres.
- Na prevenção primária as dúvidas são muito maiores: podemos admitir benefícios nos idosos, já que a idade exerce grande influência no risco absoluto de doença cardiovascular; na mulher e nos adultos jovens os benefícios ainda não são claros. Nos indivíduos jovens não existem provas dos benefícios do tratamento farmacológico. 
Por este motivo muitas organizações advogam que o rastreio da dislipidemia, só deverá ter início a partir dos 35 anos no homem e dos 45 anos na mulher, (até aos 65 anos) desde que não existam factores de risco de DC. Neste caso apenas deverá ser medido o COL-T. O rastreio da DL e o tratamento farmacológico em Prevenção Primária são temas controversos.
- Não se conhece completamente a história natural da cardiopatia isquémica pelo que uma intervenção ao nível da prevenção primaria poderá não ser completamente isenta de riscos Ainda se discute o papel de determinados factores inflamatórios, nomeadamente valores altos de PCR bem como o papel de vírus e bactérias na sua génese.
- Nos países mediterrâneos a incidência de DC é menor que nos outros países onde os estudos foram efectuados, mesmo para os mesmos níveis de COL-T. Este facto poderá condicionar a extrapolação dos benefícios para o nosso meio, bem como os níveis de colesterol que implicam tratamento 
Recentemente têm surgido novos dados, que necessitarão de confirmação com outros estudos, que indicam:
- Os benefícios obtidos com as estatinas não dependem apenas do valor de redução do colesterol. Continua por esclarecer até que ponto se deve reduzir o COL-T, sendo as recomendações variáveis. Parece que a redução de risco de DIC está mais relacionada com a redução percentual do COL-T do que com a sua redução absoluta. Para alguns autores seria mais praticável indicar as reduções percentuais a atingir (na ordem dos 25-30%) do que fixar níveis absolutos a atingir. A pravastatina, nos ensaios clínicos, proporcionou benefícios maiores do que os esperados apenas pela redução do perfil lipídico. Especulam-se outros mecanismos antiateroscleróticos adicionais envolvidos, como sejam benefícios da função endotelial, a estabilização, ou regressão, da placa diminuindo o risco trombogénico. 
- Estudos e análises mais recentes sugerem que as estatinas são efectivas em retardar a progressão da arteriosclerose na vasculatura arterial, não se limitando apenas à circulação coronária. Estes novos dados são apoiados em resultados que mostram que existe um menor número de sintomas e sinais de isquemia diversos (ex. claudicação intermitente) e num período de tempo mais curto. 
Por outro lado, nos doentes com doença coronária/aterosclerótica o uso duma estatina reduziu significativamente o risco de AVC. Uma extensa meta análise demonstra que existe uma redução relativa de risco de AVC fatal e não fatal na ordem dos 30% (NNT=83 a 100). A terapêutica com estatina (pravastatina) parece estar justificada como terapêutica de Prevenção Primária dos AVC em doentes com história de DIC. Nos doentes sobreviventes de um enfarte agudo do miocárdio, o uso de estatinas (para além da terapêutica habitual) traz reais benefícios para o doente (NNT: 33; DR: 3%) mesmo com níveis considerados “aceitáveis” colesterol. Estarão as estatinas indicadas a todos os doentes no pós enfarte do miocárdio?
São necessários mais estudos para avaliar o seu real significado (robustez, consistência) sendo ainda prematuro a sua incorporação na prática clínica.
- Existe ainda alguma polémica acerca do resultado na taxa de mortalidade de algumas causas não cardiovasculares, como cancro e mortes violentas, associadas à redução do colesterol. Uma extensa meta análise de estudos que usavam estatinas como método de redução de colesterol revela que existe uma redução de 22% na mortalidade global; não existiu maior incidência de mortalidade de causa não cardiovascular ou de cancro. Este facto leva a que se pense que as estatinas são eficazes na redução da mortalidade por doença coronária, mas também na redução da mortalidade por doença cerebrovascular e até da mortalidade global. Os receios do aumento de incidência de cancro nos indivíduos a fazerem tratamento com estatinas não estão a ser confirmados. 
Ainda em relação às estatinas algumas questões se colocam:
- Será que o efeito benéfico é igual para todas as estatinas? O alegado efeito de classe é ainda um assunto controverso. Segundo os princípios da Medicina Baseada na Evidência o valor terapêutico e a relevância clínica dum fármaco devem ser demonstradas através de provas dadas - nos ensaios clínicos - dos benefícios clínicos para os doentes e não para variáveis intermédias.
Os estudos com estatinas têm um curto follow-up, não se conhecendo a sua segurança a longo prazo; os mecanismos de alguma morbimortalidade não coronária não são completamente conhecidos e referidos, motivo pelo qual deveremos estar atentos a novos dados nesta área.
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Pontos práticos a reter
- O rastreio de DL, com a determinação do COL-T, é fortemente recomendado a partir dos 35 anos no homem e a partir dos 45 anos na mulher, até aos 65 anos. A partir destas idades o colesterol total deverá ser rastreado de 5 em 5 anos. Algumas organizações recomendam que o COL-T e HDL-C deverão ser medidos a partir dos 20 anos e de 5 em 5 anos. Estas últimas recomendações são polémicas
- O tipo e intensidade do tratamento hipolipemiante deverá ser orientado pelo risco individual de DIC. O espectro de risco varia de muito alto a baixo risco. As três categorias de risco são: 1 - indivíduos com muito alto risco de futura DIC por apresentarem história de DIC ou outras doenças ateróscleroticas (ex.: doença arterial periférica ou doença carotídea sintomática); 2 - indivíduos sem DIC que estão em alto risco por apresentar DL aterogénica juntamente com múltiplos FR de DIC, e 3 - indivíduos com DL mas que estão em baixo risco de desenvolver DIC. Este último grupo inclui adultos jovens (< 35 anos) e mulheres pré-menopausicas. Esta estratificação por categorias de risco é fundamental quando se pretende tomar uma decisão terapêutica.
- Ao nível da prevenção primária, os indivíduos com COL-T >240 (LDL > 160) e os indivíduos com múltiplos FR e COL-T > 200 (LDL > 130) deverão ser avaliados clinicamente. Devem iniciar uma dieta hipolipemiante e aumentar o exercício físico. O nível de COL-T (ou LDL) a partir do qual os fármacos poderão se indicados após um período de seis meses de dieta, são:
a) Formas severas de hipercolesterolémia: COL-T > 300 (LDL > 190) 
b) COL-T > 240 (LDL > 160) associado a mais de dois factores de risco de DIC. Na maior parte dos casos o tratamento farmacológico poderá ser adiado nos homens adultos jovens (< 35 anos) e nas mulheres pré-menopausicas excepto se existir hipercolesterolémia severa.
- Nos doentes com DIC (prevenção secundária) a dieta máxima deverá ser iniciada se o COL-T > 170 (LDL > 100). 
Se o COL-T é > 200 (LDL > 130) apesar de 3 meses de dieta, o tratamento medicamentoso deverá ser considerado. No entanto se o COL-T se situar entre os 170-200 (LDL = 100-130) com a dieta máxima, deverá existir uma decisão caso a caso. De igual forma se o uso de um fármaco reduz os níveis de COL-T (ou LDL) para estes valores, deverá ser muito bem ponderado o uso de um segundo fármaco. 
- A relação entre os TG e DIC é complexa e poderá ser explicada pela associação de HTG com baixos níveis de HDL-C e com formas potencialmente aterogénicas de LDL. Indivíduos com HTG podem ter outros distúrbios das lipoproteínas que aumentam o risco de DIC (ex. hiperlipidémia mista familiar e dislipidémia diabética). O tratamento não farmacológico (correcção da obesidade, restrição de álcool e aumento de actividades físicas) é recomendado a todos os pacientes com HTG e, muitas das vezes, é suficiente. TG > 1000 aumentam o risco pancreatite aguda motivo pelo qual se usam fármacos (fibratos) para prevenir esta doença. Quando os TG elevados são acompanhados de outras dislipidémias aterogénicas o tratamento farmacológico poderá estar indicado. 
- A referência a um especialista de lípidos é necessária para indivíduos com raras alterações lipídicas severas, complexas ou refractárias ao tratamento. 
- A análise de custo-efectividade suporta o conceito que o tratamento farmacológico deverá ser reservado prioritariamente para os indivíduos de alto risco (indivíduos com DIC ou com elevado risco de contrair DIC). Indivíduos com DL mas em risco relativamente baixo de desenvolver DIC deverão ser tratados com dieta e actividade física, que é mais segura e mais barata. No entanto estes princípios gerais nem sempre dizem respeito ao nosso paciente, motivo pelo qual algumas vezes é necessário um julgamento clínico de forma a adaptar o melhor tratamento para a pessoa/indivíduo.
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