Rastreio do cancro da próstata
Um rastreio de cancro consiste num conjunto de exames regulares para se tentar diminuir o sofrimento e a mortalidade por esse cancro. Estes exames são efectuados em pessoas que se sentem bem, sem qualquer sintoma relativo a esse cancro.
Como é efectuado o rastreio do cancro da próstata?
O rastreio do cancro da próstata é efectuado pelo toque rectal e pelo teste PSA. O toque rectal é um exame em que o médico, através da introdução do dedo no recto, faz a palpação da próstata no sentido de tentar detectar irregularidades ou possíveis nódulos. O teste PSA corresponde a uma análise sanguínea. Um valor elevado de PSA ou alterações detectadas ao toque rectal implicam a realização de uma biopsia prostática transrectal: através do recto, com uma agulha, recolhe-se uma amostra da próstata para ser analisada ao microscópio.
Porque é que existem dúvidas em relação à implementação deste rastreio?
Existem dúvidas em relação à implementação deste rastreio porque a probabilidade deste rastreio trazer dano aos homens que a ele se submetem é maior do que a probabilidade de trazer benefício.
À luz dos resultados dos estudos científicos mais recentes, muitas entidades internacionais deixaram de recomendar a aplicação deste rastreio. Este rastreio também não é recomendado pelo Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças Oncológicas.
Quais os benefícios em efectuar o rastreio?
O resultado de um cancro da próstata quando diagnosticado precocemente, é significativamente melhor do que se diagnosticado em fase avançada.Estudos clínicos demonstram que o rastreio regular do cancro da próstata pode diminuir ligeiramente a mortalidade por cancro da próstata.
Quais os malefícios em efectuar o rastreio?
O toque rectal e o PSA podem ser falsos positivos ou falsos negativos. Em média, em cada 10 pessoas com o PSA elevado e que serão submetidas a biopsia, apenas 3 terão cancro da próstata. A biopsia implica desconforto físico significativo (p.ex. dor) e, quando negativa, pode conduzir a desconforto psíquico (p.ex. ansiedade), pois cerca de 20% das biopsias são falsos negativos.
O rastreio efectuado por rotina conduz a um diagnóstico excessivo de cancro da próstata. Estima-se que em cada 2 cancros da próstata diagnosticados num programa de rastreio, 1 corresponda a um cancro diagnosticado desnecessariamente, ou seja, um cancro que nunca se manifestaria clinicamente. Em caso de cancro, será necessário tratamento agressivo com um elevado risco de efeitos secundários: disfunção eréctil, incontinência urinária ou problemas intestinais.
O paciente que efectua o rastreio tem uma elevada probabilidade de necessitar de realizar exames adicionais mais invasivos.
É possível um homem ter cancro da próstata e não ficar doente nem morrer por isso?
Sim, é possível. Uma parte significativa de cancros da próstata não evolui e nunca chega a provocar doença ou morte do homem. O problema é que o rastreio também diagnostica estes casos e depois de diagnosticar a Medicina actual não tem como saber se aquele cancro da próstata é dos que vai evoluir e matar o homem ou se é dos que não se vai alastrar, ou seja, dos que não irá provocar doença. Depois de encontrado o cancro, como não é possível estabelecer esta diferença, opta-se sempre por tratar.
Quem apresenta um risco aumentado de cancro da próstata?
Os homens que tenham um pai ou um irmão com cancro da próstata apresentam um risco aumentado de poder vir a ter esta doença. O facto de se ter um risco aumentado aumenta a probabilidade de se beneficiar do rastreio.
Será que me devo submeter ao rastreio do cancro da próstata?
A decisão deve ser tomada por si, em conjunto com o seu médico. Deve ter em consideração o seu risco pessoal em relação ao cancro da próstata e deve tomar uma decisão tendo em consideração os prós e os contras do rastreio.
Prós: “Eu vou submeter-me ao rastreio porque isso me vai deixar mais descansado. Isso pode significar ter que efectuar exames adicionais e tratar um cancro da próstata que poderia ser grave. E como não há forma de saber se um cancro da próstata vai ou não originar problemas graves no futuro, eu prefiro diagnosticá-lo numa fase em que os tratamentos são mais eficazes.”
Contras: ” Eu não vou efectuar o rastreio até que os médicos concluam que os benefícios do rastreio superam os malefícios. Os testes de rastreio poderão conduzir à realização de outros testes e ao tratamento de um cancro da próstata que poderia não causar qualquer problema. Além disso, o tratamento pode prejudicar significativamente a minha qualidade de vida devido aos seus efeitos secundários.
Se optar por fazer o rastreio, o que devo fazer e com que periodicidade?
Deverá falar com o seu médico. Nos homens acima dos 50 anos de idade que optem por se submeter ao rastreio, recomenda-se a realização anual do teste PSA e toque rectal.
Abaixo dos 50 anos, não se aconselha mesmo este rastreio, pois a probabilidade de malefício ainda é maior.