Fármacos que melhoram o MMSE na demência de Alzheimer

 

 

Pergunta clínica: Quais são os fármacos potenciadores cognitivos mais eficazes e seguros nas diferentes fases da demência de Alzheimer?

Desenho do estudo: Revisão sistemática com meta-análise em rede de ensaios clínicos aleatorizados, financiada por entidades governamentais. Foram incluídos 80 estudos, com um total de 21.138 participantes, dos quais 12 permitiram análise com dados individuais. Os fármacos avaliados foram os inibidores da acetilcolinesterase (donepezilo, galantamina, rivastigmina oral e transdérmica) e o antagonista do recetor NMDA, memantina. O outcome principal foi a variação no score do Mini-Mental State Examination (MMSE).

Resultados: Na população global, o donepezilo (diferença média 1,41 pontos; IC95% 0,51–2,32) e a associação donepezilo + memantina (2,57 pontos; IC95% 0,07–5,07) superaram a diferença mínima clinicamente relevante (MCID = 1,4 pontos). Em doentes com demência ligeira a moderada, o donepezilo (1,68; IC95% 0,31–3,06) mostrou benefício significativo e a rivastigmina transdérmica apresentou a maior probabilidade de eficácia (2,74; IC95% −0,68 a 6,16), embora sem significância estatística. Em doentes com demência moderada a grave, a associação donepezilo + memantina foi a mais eficaz (2,49; IC95% 1,55–3,44). O donepezilo isolado (1,31) e a memantina (0,69) melhoraram o MMSE, mas sem atingir a MCID. A rivastigmina oral associou-se a piores resultados no MMSE em doentes com demência moderada a grave e, juntamente com o donepezilo, apresentou o pior perfil de efeitos adversos, embora com intervalos de confiança amplos. A maioria dos ensaios teve duração limitada (habitualmente 24 semanas).

Comentário: Os fármacos potenciadores cognitivos tradicionais mostraram melhorias no MMSE, com o donepezilo e a associação donepezilo + memantina a ultrapassarem a diferença mínima clinicamente importante definida pelos autores. Os próprios autores referem que, embora as novas terapêuticas anti-amiloide possam abrandar a progressão da doença, não atingem ganhos equivalentes no MMSE após 18 a 24 meses. A escolha do tratamento deve ter em conta o estádio da demência, o perfil de segurança e a limitação da evidência relativamente ao impacto na progressão da doença.

Artigo orginal: BMJ Open

Por Daniela Macedo Gomes, USF Serra da Lousã

 

 

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