Olezarceno reduz o risco de pancreatite aguda em pessoas com hipertrigliceridemia grave

 

 

Pergunta clínica: Olezarceno reduz o risco de pancreatite aguda em pessoas com hipertrigliceridemia grave?

Desenho do estudo: Este artigo descreve dois ensaios idênticos, ambos aleatorizados e duplos-cegos. Neles, os investigadores seleccionaram adultos com hipertrigliceridemia grave (definida como triglicéridos ≥500 mg/ dL) e distribuíram-nos por três grupos: 1) receberam 50 mg de olezarceno; 2) receberam 80 mg de olezarceno; 3) receberam placebo, mensalmente durante 12 meses. O outcome primário era a diferença nos níveis de triglicéridos após 6 meses.

Resultados: Entre os dois ensaios, um total de 1061 participantes foram incluídos na análise primária. O olezarceno reduziu os níveis de triglicéridos em 63% (dose: 50 mg) e em 70% (dose: 80 mg) comparado com descidas de 0% e 14% nos dois grupos placebo (P <0,001). Após 12 meses observou-se igualmente diminuição dos níveis de triglicéridos, apolipoproteína C-III, colesterol remanescente, e colesterol não-HDL nos grupos com olezarceno em comparação com os grupos placebo (P <0,001). O marcador orientado para o doente relativo aos episódios de pancreatite aguda foi significativamente menos frequente no grupo combinado tratado com olezarceno do que no grupo placebo (1,0 vs. 6,2 eventos por 100 pessoas-ano; rácio das taxas de incidência 0,15; intervalo de confiança 95%: 0,05-0,40), a que corresponde um NNT de 20. A incidência de efeitos adversos foi semelhante nos diferentes grupos. Verificou-se um efeito dependente de dose em relação a trombocitopenia, elevação das enzimas hepáticas, e esteatose hepática, embora de forma não significativa.

Comentário: Os doentes com hipertrigliceridemia grave têm um risco aumentado de pancreatite aguda. Nestes dois ensaios, financiados pela indústria farmacêutica e previamente registados na base de dados norte-americana de ensaios clínicos, pretendeu-se avaliar a eficácia e a segurança do olezarceno, um oligonucleótido antisense cujo alvo é o RNAm da apolipoproteína C-III, em doentes com hipertrigliceridemia. Observou-se que nesta população o olezarceno reduz significativamente os níveis de triglicéridos e a incidência de pancreatite aguda, sem efeitos adversos significativos, o que sugere a presença de uma boa arma terapêutica. No entanto, a estimativa actual para o custo anual do tratamento aponta para 600.000 dólares americanos por doente.

Artigo original: NEJM

Por Luís Bicheiro, USF Atlântico Sul, Portimão

 

 

 

 

 

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