Primeiro Livro de Poesia

 

Livro: “Primeiro Livro de Poesia”, uma selecção de Sophia de Mello Breyner Andresen

Conheci “O primeiro livro de poesia” nas mãos e voz do meu professor do ensino Primário – Adriano Pinto – sob os plátanos das traseiras da escola João de Deus, no Porto, para onde levava a turma, deixando os “conteúdos programáticos” em cima da secretária da sala de aula. Cada texto era uma descoberta de personagens e lugares, gostava particularmente da forma como soavam: foi quando descobri a poesia. Um dia, o meu professor propôs que eu declamasse um dos poemas do livro na festa do final do ano lectivo. Lembro-me do entusiasmo, não tanto pelo desafio lançado, mas porque tive a oportunidade de tocar no livro. Poder pegá-lo, folheá-lo – foi aí que pude ver as belíssimas ilustrações de Júlio Resende – causava em mim um sentimento entre o sagrado e o profano, quase intangível.

É leitura recomendada para o 6º ano de escolaridade, mas fui há dias buscá-lo à estante e comecei com a intenção de ler um poema em cada noite de dezembro ao meu filho de 3 anos. Falhei uma parte do objectivo e superei a outra: não li todos os dias, mas já é um favorito do meu filho, que já sabe declamar de cor “O pastor” de Eugénio de Andrade. E, no final, fico eu a revisitar os poemas de diversos autores de Língua Portuguesa. Poderia chamar-lhe antologia, mas Sophia pede, no posfácio, que não o façamos. Cumpramos este desiderato de Sophia e ainda o de ler em voz alta: “É possível que muitos considerem este livro difícil. Mas a cultura é feita de exigência. Por isso afastei o infantilismo, o simplismo. Uma criança é uma criança, mas não é um pateta. (…) Espero que estes poemas sejam lidos em voz alta, pois a poesia é oralidade.”

Por Sofia Baptista

 

 

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