Redução do colesterol acima 75 anos: benefício em prevenção terciária, mas não primária

 

 

Pergunta clínica: Na população mais idosa, a redução do colesterol reduz os eventos cardiovasculares major?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise. Foram pesquisadas nas bases de dados Medline e EMBASE ensaios clínicos aleatorizados que avaliassem marcadores (outcomes) cardiovasculares e a utilização de medicamentos utilizados para a redução do colesterol LDL de entre os recomendados pelas guidelines de 2018 da American College of Cardiology e American Heart Association, em pacientes com 75 ou mais anos de idade e seguimento mediano de 2 anos. Foram excluídos estudos com doentes em diálise ou insuficiência cardíaca. Dois revisores procederam à seleção de estudos, extração de dados e avaliação do risco de viés e as divergências foram resolvidas por consenso. O marcador (outcome) primário – eventos cardiovasculares major – foi composto por morte cardiovascular, enfarte agudo do miocárdio/outra síndrome coronária, acidente vascular cerebral ou revascularização coronária.

Resultados: Foram incluídos 29 ensaios, envolvendo 244.090 participantes, dos quais 21.492 com 75 ou mais anos de idade. Nos ensaios com estatina, o RR de evento cardiovascular major foi de 0.82 (IC 95% 0.73 – 0.91), tendo esse RR sido de 0.67 nos 4 ensaios não-estatina (IC 95% 0.73 – 0.91). Na prevenção primária com estatina não se verificou redução significativa dos eventos cardiovasculares major. Também não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na mortalidade por todas as causas nos estudos com estatinas e não-estatinas em prevenção primária ou terciária (RR 0.97; IC 95% 0.82-1.15).

 

Fonte: ficheiro suplementar do artigo

 

Comentário: Na meta-análise, os autores agregaram estudos de prevenção primária e terciária, daí concluindo que os dados demonstraram benefício com a utilização de terapêutica hipolipemiante em idosos. Por conseguinte, quer esta metodologia, quer as conclusões são questionáveis. Consultando o ficheiro suplementar da meta-análiseTal benefício poderá verificar-se para a prevenção terciária, mas não ficou demonstrado para a prevenção primária. Encontra-se em curso o ensaio STAREE que poderá acrescentar evidência relevante sobre o efeito desta terapêutica em prevenção primária.

Artigo original: The Lancet

Por Sara Vila Maior, USF Cruz de Celas

 

 

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