
Pergunta clínica: Quanto tempo demora um doce/rebuçado a dissolver-se no nariz?
Enquadramento: Em geral, considera-se que a remoção de corpos estranhos da cavidade nasal de uma criança deverá ser realizada em meio hospitalar, muitas vezes com a utilização de anestesia quando a criança não colabora. A dúvida coloca-se na necessidade de executar este procedimento se este corpo estranho se dissolver como acontece com a maioria das guloseimas. Ou seja, será de considerar uma estratégia de “esperar para ver”, uma estratégia mais passiva? Este é um artigo propício para a quadra de Natal.
Desenho do estudo: uma “experiência doce”. Um dos autores do estudo, homem, com 29 anos de idade, introduziu 5 guloseimas populares no Reino Unido nas suas fossas nasais. Foi cronometrado o tempo necessário para que os doces se dissolvessem na cavidade nasal. A cada 5 minutos era realizada uma rinoscopia até o rebuçado/doce estar completamente dissolvido.
Resultados: Todas as guloseimas se dissolveram em menos de 1 hora.
Conclusão: Uma atitude mais passiva de “esperar para ver” pode ser suficiente para a resolução deste tipo de situações, evitando idas desnecessárias ao serviço de urgência assim como procedimentos invasivos. Contudo, dada a natureza muito simples deste estudo, será sempre necessário algum cuidado e sobretudo nos casos em que a criança não coopera ou em que se desconhece a natureza do corpo estranho, é prudente a avaliação no serviço de urgência, podendo ser necessária a respectiva remoção sob anestesia.
Comentário: Dada a época de Natal que atravessamos e com algum humor à mistura, apetece mesmo dizer que, por vezes, para descobrir a verdade, os autores de trabalhos científicos submetem-se aos mais variados perigos, em favor da ciência :))) Estes corajosos autores demonstraram que esperar uma hora pode ser o suficiente para resolver o problema da introdução de uma guloseima (goma, chocolate ou rebuçado) no nariz. Fica a dúvida se o mesmo resultado será encontrado numa criança, dado que se tratavam das fossas nasais de um adulto. Outro factor a ter em consideração e que poderá introduzir algum enviesamento passa pela dimensão da guloseima que pode ser muito variável.
Artigo original: Clin Otolaryngol
Por Mariana Rio, USF São João do Porto
