Plano terapêutico escrito capacita os pais de crianças com asma?

 

Pergunta clínica: Nos cuidadores de crianças asmáticas um plano terapêutico escrito tem benefícios a nível do reconhecimento de sintomas, uso de fármacos e diminuição do recurso aos serviços de urgência?

Desenho do estudo: Primeiro foi realizada investigação qualitativa para perceber o nível de conhecimento e manuseamento de fármacos para a asma em cuidadores de crianças asmáticas. Seguidamente foi aplicado um questionário a 169 cuidadores, em 9 centros de CSP em Singapura: 94 com plano terapêutico escrito e 75 sem plano terapêutico escrito.

Resultados: O grupo de cuidadores com plano terapêutico escrito apresentou melhor reconhecimento da broncoconstrição (adjusted odds ratio (AOR) 4.51, p=0.025) e maior capacidade (AOR 2.77, p=0.004), segurança (AOR 2.63, p=0.004) e confiança (AOR 2.8, p=0.003) em alterar a dose dos fármacos inalados durante uma exacerbação do que o grupo sem plano escrito. Não obstante este grupo não apresentou maior tendência para parar os fármacos contra parecer clínico ou procurar o serviço de emergência.

Conclusão: O plano terapêutico por escrito para controlo da asma em crianças melhora os conhecimentos dos seus cuidadores sobre a doença, uso dos dispositivos inaladores durante as exacerbações, sem prejuízo da decisão de consultar um médico quando realmente necessário.

Comentário: A asma brônquica constitui uma das mais prevalentes doenças respiratórias sendo que a correta abordagem das exacerbações assume particular importância. Uma vez que as exacerbações aumentam a morbilidade podendo ser ameaçadoras de vida, torna-se importante a educação dos pacientes no reconhecimento precoce dos sintomas e a sua melhor abordagem, sendo importante um plano individual dirigido ao controlo de sintomas. Os médicos de família têm um importante papel na vigilância de crianças asmáticas, podendo a atribuição de um plano terapêutico escrito ajudar no reconhecimento e abordagem de situações agudas, por parte dos cuidadores. De ressalvar, tal como consta no editorial, a importância de um plano consistente com normas de orientação clínica e com utilização de linguagem compreensível para todos os doentes, com o mínimo de terminologia técnica. Ainda assim, permanece a dúvida quanto ao impacto de um plano escrito nos níveis de saúde de crianças asmáticas e se este modo de capacitação poderá ser transversal a outras doenças crónicas como, por exemplo, a diabetes.

Artigo original

Por Célia Oliva, USF Além D´Ouro 

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