Esófago de Barrett e risco de adenocarcinoma do esófago

Por Lígia Torres Lima, USF São João de Sobrado

O artigo Incidence of Adenocarcinoma among Patients with Barrett’s Esophagus, publicado em Outubro, no New England Journal of Medicine, relata um estudo de coorte, no qual foram utilizados os Registos Nacionais de Patologia dinamarqueses, para identificar os doentes com diagnóstico de esófago de Barrett, com ou sem displasia, e determinar a taxa de incidência de adenocarcinoma e displasia de alto-grau, entre 1992 e 2009.

Foram identificados 11028 doentes com esófago de Barrett, sendo encontrada uma taxa de incidência de adenocarcinoma, após uma média de 5,2 anos de seguimento, de 1,2 casos por 1000 pessoas-ano [Intervalo de confiança (IC) 95%, 0,9-1,5]. Este valor é cerca de 4 a 5 vezes inferior aos encontrados em estudos anteriores. O risco relativo de adenocarcinoma, após um diagnóstico de esófago de Barrett, comparando com a população em geral, foi de 11,3 (IC 95%, 8,8-14,4) – também inferior a resultados prévios.

A deteção de displasia de baixo grau na biopsia inicial associou-se a risco absoluto e relativo de adenocarcinoma substancialmente mais elevados, comparando com a ausência de displasia.

A taxa de incidência de adenocarcinoma e displasia de alto-grau aumenta com a idade (sendo mais elevada após os 70 anos de idade) e é superior no sexo masculino.

Os autores concluem que muito poucos indivíduos com diagnóstico de esófago de Barrett desenvolverão adenocarcinoma. Assim, sendo o risco tão insignificante, a importância da vigilância de rotina destes doentes, na ausência de displasia, é posta em causa.

Artigo original: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1103042

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