Helicobacter pylori: como detectar e erradicar?

Por Liliana Sousa, UCSP Barão do Corvo

Pergunta clínica: Qual é a melhor abordagem para o diagnóstico e tratamento da infecção pelo Helicobacter pylori (HP)?

Comentário: Estima-se que aproximadamente 50% da população mundial esteja infectada pela bactéria HP. Recentemente, o “European Helicobacter Study Group” na 4th Maastricht Conference, numa guideline publicada na revista Gut, emitiu recomendações sobre as indicações para o diagnóstico e tratamento da infecção por HP, testes diagnósticos e prevenção do cancro gástrico.

A guideline recomenda o teste respiratório com ureia[13C] (com sensibilidade de 88-95% e especificidade de 95-100%) ou a pesquisa de antigénios do HP nas fezes (com sensibilidade de 94% e especificidade de 92%) como métodos não invasivos de eleição para a detecção da infecção por HP. Em contrapartida, a serologia, com doseamento dos anticorpos IgG anti-HP, só deve ser realizada se o teste for validado e em situações de uso recente de antibióticos, anti-ulcerosos ou episódio recente de hemorragia gástrica activa, atrofia gástrica ou cancro gástrico. Os inibidores da bomba de protões são um importante factor causal de resultados falsos negativos e devem ser suspensos 2 semanas antes da realização da pesquisa por qualquer destas técnicas.

Por outro lado, foi constatado que o benefício da erradicação do HP em adultos com dispepsia funcional é alta (NNT=12), mas não em adultos com doença do refluxo gastroesofágico. Deste modo, o grupo de consenso recomenda uma estratégia “test-and-treat” para adultos com dispepsia não complicada, quando a prevalência da infecção por HP é de pelo menos 20%, mas não em doentes com sintomas de alarme ou idosos. A erradicação do HP também está indicada em adultos com história de úlcera péptica e medicados a longo prazo com aspirina e/ou AINE.

O tratamento de primeira linha, no caso da taxa de resistência à claritromicina ser inferior a 15-20% (como é o caso da população adulta portuguesa), deve assentar na associação omeprazol (20mg, 2id), amoxicilina (1g, 1 comprimido de 12/12h) e claritromicina (500mg, 1 comprimido de 12/12h) durante 7 a 14 dias (o prolongamento do tratamento representa um acréscimo de 5% de eficácia na erradicação).

Em contrapartida, em países com uma taxa de resistência aumentada à claritromicina, está indicada a utilização de subcitrato/subsaliciato de bismuto (na dose 120mg, 4id) na combinação quádrupla como melhor opção.

Conclusão: Estudos apontam o teste respiratório com ureia e o teste do antigénio fecal (preferencialmente utilizando anticorpos monoclonais) como métodos equivalentes na detecção do HP (força de recomendação A). Estão especialmente indicados em jovens com dispepsia não complicada, em que a infecção por HP é comum, e está preconizada uma estratégia “test-and-treat”. Para a erradicação do HP recomenda-se a associação tripla omeprazol, amoxicilina e claritromicina ou a terapêutica quádrupla, dependendo da taxa de resistência à claritromicina (nível de evidência = 1a).

Contudo, esta guideline apresentou algumas limitações: não distingue entre resultados orientados para o paciente (patient-oriented outcome) e para doença (disease-oriented outcome) como, por exemplo, a atribuição de recomendações “A” a testes de diagnóstico.

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