Inibidores SGLT2 melhoram insuficiência cardíaca, mesmo em doentes sem diabetes

 

 

Pergunta clínica: Qual o efeito dos inibidores do cotransportador de sódio-glucose 2 (inibidores SGLT2) nos marcadores cardiovasculares em doentes com insuficiência cardíaca?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise. Foram pesquisados em 3 bases de dados (Medline, Embase e CENTRAL) ensaios clínicos aleatorizados que avaliassem o impacto do tratamento com inibidores SGLT2 em doentes com insuficiência cardíaca com fracção de ejecção reduzida, independentemente de terem ou não diabetes. A selecção de estudos e extração de dados foram efectuadas de forma independente por dois revisores. Não foi avaliado o risco de viés dos estudos. O marcador (outcome) primário foi composto por morte cardiovascular ou hospitalização por insuficiência cardíaca.

Resultados: Foram incluídos 6 ensaios, com um total de 9550 participantes, incluindo 2 estudos com 2858 pacientes sem diabetes. Os pacientes tratados com inibidores SGLT2 tiveram menor probabilidade de hospitalização por insuficiência cardíaca (hazard ratio [HR] = 0.69; IC 95% 0.57 – 0.84), de morrer devido a evento cardiovascular (HR = 0.79; IC 95% 0.68 – 0.92) ou de morrer por qualquer causa (HR = 0.8; IC 95% 0.7 – .092), com taxas similares de efeitos adversos. Constatou-se ainda uma melhoria significativa dos sintomas de insuficiência cardíaca com o uso de inibidores SGLT2.

Comentário: Esta meta-análise mostrou que os inibidores SGLT2 – as “gliflozinas”-, enquanto classe, estão associados a redução de morte cardiovascular, hospitalização por insuficiência cardíaca e sintomatologia de insuficiência cardíaca, sem incremento da taxa de efeitos adversos. Estes resultados poderão revelar-se transformadores da prática clínica, particularmente na área da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Até então, havia sido demonstrada a eficácia dos inibidores SGLT2 no controlo glicémico dos doentes diabéticos, contudo, os estudos mais recentes têm revelado benefícios, mesmo naqueles sem diabetes. A melhoria sintomática da insuficiência cardíaca aumenta a qualidade de vida para o doente, tornando-o mais funcional nas suas atividades de vida diária. Desta forma, os inibidores SGLT2 vêm aliar-se às restantes opções terapêuticas na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Artigo original: Am J Med

Por Francisca Ribeiro Silva, UCSP Celorico de Basto

 

 

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