
Contexto: O início da contraceção no próprio dia da consulta, independentemente da fase do ciclo menstrual, pode eliminar os obstáculos à iniciação da contraceção e pode reduzir o risco de gravidez indesejada.
Pergunta clínica: Em mulheres que vão iniciar a contraceção, a eficácia contracetiva será superior ou inferior se a mesma for iniciada no próprio dia da consulta, em vez de se se aguardar pelo início do próximo ciclo menstrual?
Desenho do estudo: Estudo de coorte prospetivo que envolveu as mulheres inscritas em 4 clínicas de planeamento familiar no Condado de Salt Lake, Utah, que iniciaram contraceção entre setembro de 2015 e março de 2017. Dados da HER Salt Lake Contraceptive Initiative foram utilizados para avaliar mulheres que iniciaram contraceção no dia da consulta, independentemente do dia do seu ciclo menstrual ou de relações sexuais desprotegidas recentes. Foram excluídas mulheres com história de aborto nas 2 últimas semanas. Foi realizada uma avaliação aos 1, 3 e 6 meses após o início da contraceção, determinando-se a frequência de relações sexuais desprotegidas nos 5 dias e 6-14 dias antes do início da contraceção, a frequência do uso simultâneo de contraceção oral de emergência e o risco de gravidez com estas exposições. O marcador primário foi a associação entre o início da contraceção no dia da consulta e a ocorrência de gravidez durante o primeiro ciclo menstrual. Marcadores secundários: frequência e risco de gravidez no primeiro ciclo menstrual por método contracetivo específico; frequência de relações sexuais desprotegidas antes do início da contraceção; frequência do uso simultâneo de contraceção oral de emergência.
Resultados: De um total de 3568 mulheres, 2575 (72,2%) iniciaram contraceção à sua escolha no dia da consulta. Destas, 12,5% (322 mulheres) descreveram relações sexuais desprotegidas nos 5 dias antes do início da contraceção e 9,9% (254 mulheres) nos 6-14 dias antes.
O marcador primário (gravidez nos primeiros 30 dias) ocorreu em 11 das 2575 mulheres de início no próprio dia (0,4%; IC 95% 0,2-0,7) em comparação com 1 entre 993 utilizadoras de início tradicional (0,1%; IC 95% 0,0-0,6). Esta diferença não é estatisticamente significativa.
As maiores taxas de gravidez foram associadas à contraceção hormonal oral e vaginal (1,0-1,2%). Entre as mulheres que iniciaram contraceção no dia da consulta, 6,8% (174 mulheres) realizaram contraceção oral de emergência, com uma taxa de gravidez de 2,3% (4 mulheres) neste grupo.
Comentário: Este estudo aborda uma questão crucial na área da saúde reprodutiva da mulher, avaliando a eficácia do início da contraceção no dia da consulta, independentemente do dia do ciclo menstrual. Os resultados apoiam a abordagem “qualquer método, a qualquer hora” como uma forma alternativa de responder às necessidades das mulheres. E isto pode implicar uma mudança da prática clínica habitual.
Artigo original: Am J Obstet Gynecol
Por Pedro Alexandre Ribeiro, USF Penela
