
“Eu até queria doar mas eles disseram que aqui já não é possível”. Esta afirmação tem sido recorrente no âmbito da minha consulta de Saúde Materna e expressa um desejo não concretizado de dádiva para o Banco Público de Células Estaminais (Lusocord). O Lusocord teve inicio após despacho de 2009 e segundo dados oficiais chegou a recolher, gratuitamente, 11000 dádivas com 5000 amostras criopreservadas para transplante. Existem várias vantagens na opção por um banco público. Para além do custo zero para a doadora é importante realçar a disponibilidade das células para um grande número de doentes a nível mundial. Mas após importantes factos revelados pelo Instituto Português do Sangue e Transplantação, o serviço foi reformulado e, segundo o que consegui apurar, as recolhas actualmente estão restritas a um centro hospitalar no norte do país.
Sobre este delicado tema vale a pena consultar o “Parecer sobre os bancos de sangue e tecido do cordão umbilical e Placenta” do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e do Comité de Bioética de Espanha (link aqui). Desse documento saliento a importância do cumprimento de elevados padrões de qualidade técnica e científica. Estando este ponto basilar assegurado o objectivo é “estabelecer uma rotina de colheita do sangue e tecido do cordão umbilical e placenta em todas as grávidas, para um banco público”.
Sendo assim estou certo que o plano de alargar o Lusocord a todo o país será concretizado.
