Melhorar os resultados no controlo da Diabetes tipo 2

Por Vanessa Xavier, IFE MGF – UCSP Vale Formoso

O seguimento do utente com Diabetes Mellitus tipo 2 é complexo, pelas múltiplas vertentes que têm de ser consideradas, nomeadamente as necessidades clínicas, físicas, psicológicas e sociais e a preferência individual do utente. Desta forma, o seguimento destes utentes deve ser individualizado, de forma a não se perderem os cuidados holísticos não tentativa desenfreada de alcançar determinados parâmetros analíticos.

O controlo das glicemias é um objectivo terapêutico importante na Diabetes tipo 2, no entanto o seu beneficio na diminuição da doença cardiovascular é bastante inferior ao beneficio obtido pelo controlo da tensão arterial ou do perfil lipídico. Assim, uma intervenção terapêutica com num bom controlo das glicemias capilares, modificações do estilo de vida (cessação tabágica, exercício físico, perda de peso), controlo da pressão arterial e controlo perfil lipídico parece prevenir mais complicações cardiovasculares do que uma intervenção centrada no controlo quase exclusivo e intensivo das glicemias.

Desta forma, o NICE recomenda que o alvo terapêutico de HbA1c seja sempre estabelecido entre o utente e o profissional de saúde. Se apropriado e exequível para o utente, são considerados óptimos valores de HbA1c à volta dos 7,5%, uma vez que segundo a evidência actual este é o valor de HbA1c que está associado a menor risco de mortalidade por todas as causas. Valores mais baixos ou mais elevados de HbA1c estão associados a um maior risco, esta relação foi encontrada tanto no tratamento com antidiabéticos orais como com insulina. No entanto, a intensificação do tratamento com insulina apresentou um maior risco. Níveis mais baixos de HbA1c podem ser apropriados para utentes em estadios iniciais da doença. Qualquer redução de HbA1c para além do estabelecido entre o utente e o profissional de saúde pode ser vantajoso. No entanto o NICE não recomenda o tratamento intensivo na tentativa de alcançar níveis de HbA1c abaixo de 6,5% e sobretudo se à custa de outras prioridades terapêuticas.

Baseada na existência de RCTs que mostraram diminuição da morbimortalidade, o NICE recomenda que dentro dos fármacos hipoglicemiantes a metformina seja considerada como opção de primeira linha e as sulfonilureias como segunda linha, ou, se necessário, associada a metformina. Se com terapêutica dupla não houver controlo, a associação de um terceiro fármaco não deve ser automática, devendo-se primeiro avaliar a adesão, riscos e benefícios dessas atitudes no doente em particular, não esquecendo o anteriormente referido de que é mais benéfico intervir em todos os factores cardiovasculares do que exclusivamente nas glicemias. Uma vez que em relação aos novos hipoglicemiantes ainda não é conhecida a segurança a longo prazo e ainda não existe evidência que melhorem a morbimortalidade, o NICE defende que devem de ser considerados uma opção de terceira linha, úteis em determinados indivíduos.

Dentro das insulinas, o NICE recomenda a insulina humana NPH como opção em caso de ausência de controlo com terapêutica dupla dado que os análogos de insulina de longa acção (insulina glargina, insulina detemir) não oferecem vantagens significativas em relação à insulina NPH e são muito mais caros. Assim, a banalização da utilização de análogos de insulina de longa acção (insulina glargina, insulina detemir) pode não representar a melhor utilização dos recursos existentes, devendo ser reservados para situações especiais ou indivíduos específicos.

Artigos originais: http://www.npc.nhs.uk/merec/cardio/diabetes2/merec_bulletin_vol21_no5.php

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