POEM: Rastreio do cancro da próstata – o fim da controvérsia?

Por Mariana Rio, USF São João do Porto

Pergunta clínica: O rastreio do cancro da próstata diminui a mortalidade por cancro da próstata?

Comentário: A falta de consenso e de evidência científica faz com que continuamente se tente perceber o custo-benefício do rastreio da neoplasia maligna da próstata através da determinação do Prostate Specific Antigen (PSA). O objectivo do artigo Screening for Prostate Cancer: A Review of the Evidence for the U.S. Preventive Services Task Force, de Outubro de 2011, assenta na necessidade de diagnosticar o mais prematuramente possível (altura em que o tratamento é mais eficaz) uma das neoplasias mais comuns nos homens.

A pesquisa anual do PSA associada à realização de toque rectal aumenta a incidência de Neoplasia maligna da próstata mas não tem qualquer efeito na mortalidade. Um estudo revelou que a pesquisa de PSA de 2 em 2 anos diminui o risco de mortalidade por neoplasia. No entanto, pelo menos 12% dos resultados são falsos positivos (com efeitos psicológicos nefastos), após 3 pesquisas no mesmo indivíduo, e 76% das biópsias prostáticas efectuadas por causa da elevação do PSA (≥4.0μg/L) não revelaram a presença de células neoplásicas. Além disso, são relatados dor e hemorragia como consequência do exame rectal, equimose e síncope devidas à punção venosa, e complicações da biópsia como febre, prostatite, urossépsis, hematúria e retenção urinária.

A prostatectomia e a radioterapia diminuem a mortalidade, em comparação com a vigilância, mas apenas foi possível concluir isto nas neoplasias malignas da próstata localizadas. Ambas as formas terapêuticas foram associadas a disfunção eréctil. A prostatectomia também está associada a incontinência urinária e complicações pós-cirúrgicas (principalmente eventos cardiovasculares), porém, há estudos que relatam uma melhoria da qualidade de vida. A radioterapia esteve associada a alterações gastrointestinais, mais pronunciadas nos primeiros meses mas com melhoria gradual.

Por cada 1410 homens rastreados, são efectuados 48 tratamentos desnecessários e é evitada a morte de 1 homem.

Conclusão: Embora permitindo a detecção de mais casos de neoplasia maligna da próstata, o rastreio do cancro da próstata com PSA não diminui a mortalidade por este cancro. Os malefícios encontrados suplantam os benefícios, com sobrediagnóstico e sobretratamento.

Artigo original:  http://www.annals.org/content/155/11/762.full.pdf+html

                              http://ebm.bmj.com/content/17/1/25.full.pdf+html

 

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