Rastreio do Cancro do Pulmão – será a tomografia a solução?

Por Mariana Rio, USF São João do Porto

Pergunta clínica: Em adultos com risco aumentado de desenvolver cancro do pulmão, será eficaz o rastreio com tomografia computorizada (TC) de baixa dose?

Comentário: O Cancro do Pulmão é a principal causa mundial de morte por cancro. Tal acontece porque a maioria dos diagnósticos são feitos em estadios avançados da doença, com muito baixa sobrevivência aos 5 anos.Esta revisão sistemática procura identificar o impacto da TC de baixa dose na mortalidade por cancro do pulmão como outcome primário, assim como a sua influência na detecção de nódulos benignos, na realização de procedimentos invasivos, exames de seguimento e na cessação tabágica.

Foram encontrados 3 estudos aleatorizados. O National Lung Screening Trial revelou que o rastreio com a realização de TC de baixa dose anual durante 3 anos em adultos entre os 55 e os 74 anos, fumadores (mais de 30 U.M.A.) ou ex-fumadores (cessação tabágica nos últimos 15 anos) resultou na redução do risco da mortalidade por cancro do pulmão. Os outros estudos não demonstraram tal benefício. 20% dos indivíduos tiveram resultados positivos tendo sido necessário o seu seguimento. Em cerca de 1% foi detectado cancro do pulmão. Havia uma heterogeneidade muito grande no estudo que era feito aos doentes nos quais foram encontradas lesões benignas,O risco de morte ou complicações major era maior no grupo submetido ao rastreio. Por cada 2500 pessoas rastreadas, ocorre1 morte por cancro causada pela radiação da TC, mas este outcome só se manifestará dentro de 10 a 20 anos.

Conclusão: A TC em baixas doses poderá beneficiar os adultos com risco aumentado de desenvolver cancro do pulmão, mas os seus malefícios e a generalização dos resultados ainda provocam incertezas.

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