Revisão da Cochrane: cancros da mama diagnosticados desnecessariamente nos programas de rastreio

Por Maria Manuel Marques, IC MGF, US Brás Oleiro – CS Rio Tinto e S.Pedro da Cova

De acordo com uma meta-análise publicada no British Medical Journal “Overdiagnosis in publicicly organized mammography screening programmes: systematic review of incidence trends” BMJ 2009; 339: b2587, um em cada três cancros da mama detectados por um programa de rastreio populacional é sobrediagnosticado, sendo que o sobretratamento ocorrerá na mesma proporção pois não há forma de distinguir entre Cancro potencialmente letal ou “inofensivo” (não causaria morte ou sintomas).  O rastreio oncológico pode levar à detecção precoce de cancros letais mas também detecta os “inofensivos” que não causariam morte ou sintomas pelo seu crescimento indolente. Ora, define-se sobrediagnóstico como a detecção destes últimos. Este é já um problema conhecido relativamente ao cancro da próstata. Neste artigo os investigadores reviram a taxa de incidência de cancro da mama sete anos antes e sete anos depois da implementação de programas de rastreio populacional no Reino Unido, Canadá, Austrália, Suécia e Noruega. Após exclusão do carcinoma in situ, a proporção de sobrediagnóstico foi de 1/3. Assim, mais do que saber se o sobrediagnóstico ocorre importa saber quão frequentemente isso acontece e ao optar por uma estratégia de rastreio saber o balanço entre o número de mortes evitadas e o número de cancros sobrediagnosticados.

Visualize o vídeo que inclui entrevista a de um dos autores do estudo:

VIDEO:Overdiagnosis of Breast Cancer by Screening Mammography Estimated at 52%(Interview with Dr. Karsten Jorgensen, MD, Nordic Cochrane Centre)

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