Quando abordo o tema da “satisfação profissional”, em contextos mais ou menos informais, a reação dominante é de estranheza.
Estando a nossa comunidade no epicentro de uma crise financeira parece esotérico fugir do discurso que abarca apenas o défice e outras medições apelidadas de mais objetivas.
No entanto, a satisfação dos profissionais em geral, e dos médicos em particular, não é um assunto teórico, pouco estudado, ou sem enquadramento legal.
Os inúmeros artigos, por exemplo, do Prof. Doutor Luís Graça são a prova da existência de literatura extensa e reconhecida.
Quanto às normas existentes, a lei de bases da saúde (Lei nº 48/90, de 24 de Agosto), enquadra a satisfação profissional como um dos critérios de avaliação periódica do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a par da satisfação dos utentes, da qualidade dos cuidados e da eficiente utilização dos recursos.
Em resumo existem quatro pilares fundamentais. A satisfação com: o desenvolvimento pessoal; as condições físicas do local de trabalho; as recompensas e as interações humanas.
Julgo que a insatisfação médica atual engloba todas as vertentes listadas acima, pelo que o êxodo de médicos lusos é um fenómeno inevitável, em crescendo e que abarca todas as especialidades médicas.
Para revertermos esta tendência é imperioso, tal como é realçado pelo pertinente artigo de opinião dos colegas Dr. Carlos Prior e Dra Teresa Lopes (Revista da OM- edição Janeiro/Fev 2014), identificar com precisão a realidade dos médicos de família que trabalham em Unidades de Saúde Familiar (USF) e Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP).
A nova secção do MGFamiliar.net intitulada de “Médicos pelo Mundo” pode indicar algumas pistas para percebermos as motivações dos colegas.
Sugiro a leitura da entrevista que conduzi à colega Susana Silva, médica de família na Irlanda.
Link: http://www.mgfamiliar.net/_blog/mm/post/ss
