Desde a minha infância que, muito impulsionada pelos meus pais, me envolvi em actividades educativas, muitas delas marcadas por um certo pendor lúdico, facto pelo qual se revelaram muito eficazes do ponto de vista pedagógico e formativo.
Na família, ensinaram-me que a saúde é um bem, um valor inestimável que devemos procurar guardar com todo o cuidado, sublinhando diligentemente que, embora os meus pais também fossem responsáveis, e claro, os primeiros entre os primeiros a ajudar-me a cuidar e guardar o precioso bem que é a minha saúde, esse era um dever que me competia, antes de mais ninguém, a mim própria, afinal, a principal interessada. Com essa abordagem familiar, à medida que fui crescendo, fui tomando consciência que zelar pela minha saúde é, em primeiríssimo lugar, uma responsabilidade pessoal.
Do primeiro ciclo até ao ensino secundário, tentei manter-me sempre activa nas causas da educação ambiental e da educação para a saúde, na certeza de que estas duas apostas educativas são complementares e até convergentes em muitos dos seus objectivos.
Aquilo que pude constatar, na primeira pessoa, firma a minha convicção que se as crianças e jovens forem envolvidos num processo de educação para a saúde, com metodologias dinâmicas, criativas e imaginativas que lhes permitam tomar consciência dos benefícios concretos de adquirirem hábitos de vida saudáveis, demonstrando-lhes também, de forma muito clara, os riscos e consequências dos maus hábitos alimentares, de comportamentos de risco e do não cumprimento das suas rotinas salutares diárias, como por exemplo, lavar os dentes, lavar frequentemente as mãos, não partilhar copos com os amigos e outros descuidos potencialmente arriscados, será fácil recrutá-los para uma causa que não é só dos médicos, das famílias ou da sociedade em geral, mas é, primordialmente, do interesse das crianças e de cada uma delas em concreto.
É pela experiência que vivi e pela constatação efectiva que testemunhei que afirmo categoricamente que todo o investimento na educação para a saúde, realizado com critérios e objectivos muito bem definidos, com programas bem estruturados e devidamente monitorizados, para serem implementados desde a pré-escola até ao fim do ensino secundário, será um investimento altamente produtivo, no sentido em que terá um retorno incontestável, quer ao nível da melhoria da saúde da população que está hoje nos bancos da escola e será adulta amanhã, como no plano dos gastos com o Serviço Nacional de Saúde.
Uma das evidências disto que afirmo é o facto de viver num concelho, a Maia, que desde há mais de vinte anos que investe em políticas de educação ambiental, e graças a isso, tem recebido de entidades auditoras externas e independentes, vários prémios e distinções como uma das terras portuguesas com melhor qualidade de vida ambiental, melhor recolha selectiva de resíduos sólidos, melhor tratamento de efluentes e em geral, melhor qualidade de vida a esse nível, por ter sido um concelho pioneiro em muitas destas matérias, cujo sucesso foi fortemente alavancado pela estratégia de educação ambiental que fez dos mais novos mediadores entusiastas dessa mudança comportamental que enraizou hábitos ambientalmente mais saudáveis.
É por isto que defendo que educar para a saúde devia, a meu ver, ser um desígnio nacional.
Ana Lídia Dias, estudante de Medicina
