Vitamina D e cálcio não reduzem risco de fractura

 

 

Pergunta clínica: Qual o impacto das diferentes doses de vitamina D, cálcio ou da sua combinação na prevenção do risco de fraturas?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise em rede. Foram pesquisados estudos aleatorizados e controlados com placebo com duração superior a um ano, com indivíduos com idade superior a 50 anos a viver na comunidade, que tomaram apenas cálcio, apenas vitamina D ou uma associação de ambos. Foram excluídos os estudos em que o cálcio ou a vitamina D foram associados a outras terapias e aqueles em que os doentes apresentavam doenças ou usavam medicamentos que podiam afetar o metabolismo do cálcio. Foram pesquisadas as bases de dados Pubmed, Cochrane e EMBASE. Dois revisores procederam à seleção de estudos, extração de dados e avaliação do risco de viés de modo independente e um terceiro autor interveio em caso de divergência. O outcome primário foi o total de fraturas. A fratura da anca e fratura vertebral foram definidas outcomes secundários.

Resultados: Foram incluídos 25 estudos, envolvendo 43510 participantes. Numa análise de 18 estudos (24965 indivíduos) foi avaliada a eficácia da vitamina D, cálcio ou suas associações na diminuição de fraturas totais; não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as intervenções nem comparativamente ao placebo. Relativamente à eficácia das diferentes terapêuticas na fratura da anca, num total de 41845 indivíduos incluídos em 16 estudos, não foram observadas diferenças significativas entre o uso de cálcio, vitamina D ou suas associações ou em comparação ao placebo. Os mesmos resultados foram obtidos para o outcome fratura vertebral, análise que incluiu um total de 17612 indivíduos de 12 estudos.

Comentário: Nesta meta-análise, os riscos de fratura total, fratura da anca e fratura vertebral não foram reduzidos com a utilização de diferentes concentrações de cálcio, vitamina D ou suas combinações, nem comparativamente com o placebo ou com a ausência de tratamento. Estes resultados não sustentam o uso generalizado destes suplementos em idosos na comunidade. Não obstante, viéses relacionados com possível heterogeneidade e dados em falta devem ser tidos em conta na retirada de ilações. É de realçar também que estas conclusões não excluem o benefício dos referidos suplementos em idosos com mais avançada idade e maior fragilidade.

Artigo original: BMJ Open

 Por Margarida Cepa, USF Marquês

 

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