Vanessa Xavier, IFE MGF – UCSP Vale Formoso
Num comunicado de imprensa realizado em Novembro de 2010 foram revelados os resultados de um estudo que mostrou que o ezetimibe/sinvastatina (10/20mg dia) foi mais eficaz que o placebo na redução da incidência de eventos cardiovasculares majores em pacientes com doença renal crónica (DRC) em estadio avançado ou terminal. No entanto, este estudo não aborda a principal questão, que é saber se existe eficácia significativa e/ou vantagem em termos de segurança do uso dessa combinação em comparação com o tratamento considerado actualmente de primeira linha, a sinvastatina isoladamente.
Segundo o National Prescribing Center (NPC), este estudo não fornece motivos para mudanças na prescrição de medicamentos hipolipidemiantes. De acordo com as orientações do NICE, a ezetimibe tem um papel limitado, devendo ser usada só no tratamento da hipercolesterolemia primária do adulto (heterozigótica, familiar ou não familiar), desde que se verifique uma das seguintes circunstâncias:
• Contra-indicação para o tratamento com estatinas
• Intolerância às estatinas
• Em associação às estatinas em caso de colesterol total ou colesterol LDL não controlado com o tratamento em monoterapia e em dose adequada de estatina ou se existir incapacidade de aumentar a dose de estatina por intolerância.
De acordo com a orientação do NICE para a DRC, na prevenção primária de doenças cardiovasculares, a terapia com estatinas não deve diferir do seu uso em relação às pessoas sem DRC e deve ser baseada em tabelas de risco cardiovascular existentes para as pessoas com e sem diabetes (ver NICE guidance on lipid modification). Na prevenção secundária, as estatinas devem ser oferecidas a todos os doentes, independentemente dos valores lipídicos basais. É necessário ter em atenção que as tabelas de risco de Framingham podem subestimar significativamente o risco em pessoas com DRC.
Artigo original: http://www.npc.co.uk/ebt/merec/cardio/diabetes2/merec_monthly_no35.html
