A democracia precisa da vacina deste ano

 

 

Será que a hesitação vacinal e a hesitação democrática nascem da mesma raiz? Promovem o descrédito em quem deveria proteger o coletivo. E ambas enfraquecem aquilo a que, em saúde pública, chamamos imunidade de grupo, a proteção que a maioria garante aos mais frágeis.

 

Há muitos anos que escrevo e falo sobre vírus. Mas, ultimamente, dou por mim a pensar que esta descrição serve na perfeição para outro fenómeno: o crescimento das novas correntes de extrema-direita na Europa e em Portugal.

Como o vírus, também estas ideias mudam o suficiente para parecerem novas. O discurso que deu origem ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial surge agora reformulado, com outro vocabulário, outra estética e outros alvos. Os anticorpos desenvolvidos por décadas de vida em paz e em democracia já não o identificam com a mesma facilidade. Também elas prosperam em espaços fechados. As câmaras de eco das redes sociais são o equivalente digital de uma sala sobreaquecida e sem janelas, onde as mesmas mensagens circulam entre as mesmas pessoas, cada vez mais concentradas. Também se transmitem em silêncio, muito antes de se manifestarem nas urnas. E também têm a sua sazonalidade: os surtos coincidem com os invernos económicos, com a crise da habitação, com a sensação de abandono.

Pode ler aqui a versão integral deste artigo de opinião publicado no Jornal de Notícias.

Por Carlos Martins

 

 

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