
Pergunta clínica: Em homens entre os 45 e os 80 anos, com hipogonadismo e doença cardiovascular conhecida ou com alto risco de doença cardiovascular, a reposição transdérmica de testosterona aumenta o risco de eventos cárdio ou cerebrovasculares comparativamente aos que não realizam este tratamento?
População: homens entre os 45 e os 80 anos, com hipogonadismo e doença cardiovascular conhecida ou com alto risco de doença cardiovascular
Intervenção: gel de testosterona titulado para atingir um nível entre 350 e 750 ng/dL
Comparação: placebo
Outcomes: ocorrência de qualquer componente de um marcador composto de morte por causas cardiovasculares, enfarte do miocárdio não fatal ou acidente vascular cerebral não fatal
Desenho do estudo: Neste estudo de não inferioridade, randomizado, duplamente cego, controlado por placebo, multicêntrico, foram incluídos 5204 homens entre os 45 e os 80 anos, com um ou mais sintomas de hipogonadismo e dois níveis séricos de testosterona em jejum inferiores a 300 ng/dL (10,4 nmol/L) e com doença cardiovascular conhecida ou com alto risco de doença cardiovascular. A doença cardiovascular foi definida como evidência clínica ou angiográfica de doença arterial coronária, doença vascular cerebral ou doença arterial periférica. O risco cardiovascular aumentado foi definido como a presença de três ou mais dos seguintes fatores de risco: hipertensão, dislipidemia, tabagismo atual, doença renal crónica estadio 3, diabetes, nível elevado de PCR de alta sensibilidade, idade igual ou superior a 65 anos, ou um score de cálcio coronário de Agatston acima do percentil 75 para idade e raça. Os participantes foram alocados em dois grupos:
a) um grupo que recebia gel transdérmico de testosterona a 1,62% (2601 homens);
b) um grupo que recebia placebo (2603 homens).
O marcador primário foi a ocorrência de um evento adverso cardíaco major como morte por causa cardiovascular ou enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral não fatais.
Resultados: Um evento adverso cardíaco major ocorreu em 182 pacientes (7,0%) no grupo que recebia testosterona e em 190 pacientes (7,3%) no grupo que recebia placebo. Verificou-se uma maior incidência de embolia pulmonar no grupo que recebia a testosterona (0,9%) do que no grupo que recebia o placebo (0,5%). As arritmias não fatais que justificaram intervenção ocorreram em 134 pacientes (5,2%) no grupo que recebia testosterona e em 87 pacientes (3,3%) no grupo que recebia o placebo, com um número necessário para dano de 45 aos 21 meses. A fibrilhação auricular ocorreu em 91 pacientes (3,5%) e 63 pacientes (2,4%), respetivamente, com um número necessário para dano de 91 aos 21 meses. E lesão renal aguda ocorreu em 60 pacientes (2,3%) e 40 pacientes (1,5%), respetivamente, com um número necessário para dano de 125 aos 21 meses.
Comentário: O uso de testosterona não se revelou inferior ao placebo sob a perspetiva de segurança cérebro e cardiovascular. Contudo, observaram-se taxas de incidência mais elevadas de lesão renal aguda, fibrilhação auricular, arritmias não fatais e embolia pulmonar. Em homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular, a suplementação com testosterona deve ser utilizada com precaução e com uma vigilância cuidada em relação a estas possíveis complicações: lesão renal aguda, fibrilhação auricular, arritmias não fatais e embolia pulmonar.
Por Rebeca Cunha, USF Trilhos Dueça

1 Comentário. Deixe novo
sou só eu que acha que o défice de testosterona é a nova moda das suplementações (agora que a da vit D arrefece)? tenho tido vários homens muito jovens com essa preopcuação trazida do Dr Google, que insistem em dosear e depois tem 299 e é tudo daí – quando se vê á distãncia que estão imersos em ansiedade e socialmente atrapalhados.