Prevalência do aleitamento materno

 

Pergunta clínica: Qual a prevalência do aleitamento materno (AM) exclusivo nos primeiros 6 meses de vida?  Quais as razões que levam as mães a iniciar e abandonar o AM? Quais os fatores que influenciam a duração do AM exclusivo?

Desenho do estudo: Estudo observacional, através de uma amostra de conveniência constituída pelas mães de filhos inscritos num ACeS da Região Centro, que recorreram ao seu centro de saúde para vacinação do filho aos 6 meses de idade. A recolha de dados foi através de um questionário adaptado de outro, entre Março e Maio de 2011.  

Resultados: Obteve-se uma amostra de conveniência constituída por 195 mulheres, correspondendo a uma taxa de adesão de 69,1%. A prevalência do AM exclusivo à saída da maternidade, ao 1º, 3º e 6º mês foi respectivamente de 95,9%, 79,5 %, 63,6% e 44,1%. A prevalência à saída da maternidade é semelhante a outros estudos portugueses, que variam entre 88 e 99%, no entanto é superior ao 6º mês (22,4% – 36%). Os benefícios para o bebé (ex: “mais adequado”, “protege das infeções” e “melhora a ligação afetiva”) foram as razões mais frequentes para o início do AM. A razão para o abandono do AM mais referida (62,8%) foi “não ter leite suficiente”, sendo que a grande maioria das razões foi de natureza subjetiva. O género masculino, o parto eutócico, um maior rendimento mensal e a experiência anterior da amamentação associaram-se a uma maior duração do AM exclusivo, o que está de acordo com literatura, à exceção do sexo masculino.

Comentário: Conhecer a prevalência e os factores que influenciam o AM é uma ferramenta útil para desenhar estratégias eficazes de promoção do AM pela equipa de cuidados de saúde primários. Nesse sentido este estudo contribui para percebermos a nossa realidade. Não obstante, apresenta algumas limitações: utilizaram um questionário não validado, a colheita foi num período curto de tempo e a amostra era de conveniência com baixa representatividade da população (12% dos bebés inscritos no ACeS). Sendo assim parece-me importante apostar num questionário validado em português para que as próximas publicações tenham um maior rigor científico.

Artigo original

Por Paula Mendes, USF Maxisaúde 

 

 

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