Continuidade em CSP diminui mortalidade

 

 

Pergunta clínica: A continuidade de cuidados nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) associa-se a menor mortalidade?

Enquadramento: A continuidade de cuidados é uma das características identitárias da Medicina Geral e Familiar. Uma revisão em 2018 com médicos dos CSP e secundários concluiu que a continuidade de cuidados se associou a menor taxa de mortalidade [1].

Desenho do estudo: Revisão sistemática. Foram pesquisados estudos em inglês ou francês nas bases de dados MEDLINE, Embase, PsycINFO e também grey literature até Julho de 2019. Foram selecionados os estudos originais quantitativos com qualquer tipo de desenho, que utilizassem medidas quantitativas de continuidade e mortalidade referentes total ou maioritariamente aos CSP. Foram alocados aleatoriamente dois revisores a cada estudo e os dados foram extraídos de modo independente e as divergências resolvidas com terceiro revisor. Para avaliação do risco de viés foi utilizada a ferramenta Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT, 2011). Estava inicialmente planeado proceder a meta-análise, o que não foi possível devido às diferentes medidas e escalas utilizadas nos estudos.

Resultados: Foram incluídos 13 estudos (coortes retrospectivos e estudos transversais), com período de seguimento variável. 12 estudos avaliaram o efeito da continuidade na mortalidade por todas as causas: 9 encontraram um efeito protector significativo da continuidade, 2 não encontraram qualquer efeito e num outro o efeito foi variável. Um estudo encontrou uma associação protectora da mortalidade por doença coronária. A maior responsabilidade clínica, maior conhecimento por parte do clínico e a confiança do paciente poderão ser algumas das explicações para estes resultados, apesar de não terem sido investigadas.

Comentário: A interpretação destes resultados deve reconhecer algumas limitações desta revisão sistemática, nomeadamente relacionadas com as diferentes medidas de continuidade utilizadas, os diferentes períodos de seguimento e os estudos primários incluídos serem todos observacionais. Também não se pode excluir viés de publicação. Estes resultados sugerem uma relação entre continuidade e mortalidade, mas são necessários mais estudos – quer aleatorizados, quer qualitativos -, cujos achados podem ser úteis também para os decisores políticos na aposta por cuidados personalizados e continuados.

Artigo original: BJGP

Por Sofia Baptista

[1] Gray DJP, Sidaway-Lee K, White E, et al. Continuity of care with doctors: a matter of life and death? A systematic review of continuity of care and mortality. BMJ Open 2018; 8(6): e021161.

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