Por Lígia Torres Lima, USF São João de Sobrado
No estudo “The role of inhaled corticosteroids and montelukast in children with mild-moderate asthma: results of a systematic review with meta-analysis” é comparada a eficácia dos corticosteróides inalados (CTI) vs montelucaste isolado e montelucaste associado aCTI em crianças em idade escolar e adolescentes com asma persistente ligeira a moderada.
Recomendações
De acordo com as recomendações da BTS/SIGN (British Thoracic Society/ Scottish Intercollegiate Guidelines Network) para abordagem da asma, quando os doentes não estão adequadamente controlados com agonistas-b de acção curta quando necessário (passo 1), os CTI são a primeira escolha para terapêutica preventiva a longo prazo (passo 2). Nas crianças com menos de 5 anos de idade, se os CTI estiverem contra-indicados, pode considerar-se o uso um antagonista dos receptores dos leucotrienos (ARLT, ex.: montelucaste).
Em alguns doentes não é possível o controlo adequado com CTI isoladamente. Nos adultos e crianças dos 5 aos 12 anos pode optar-se pela associação de um agonista-b de acção longa (ex.: salmeterol ou formoterol) ao CTI (passo 3). Nas crianças com idade inferior a 5 anos a primeira escolha para associação é um ARLT. Contudo, antes de associar um novo fármaco ou alterar a medicação, o clínico deve confirmar a adesão à terapêutica em curso, verificar a técnica de inalação do doente e eliminar factores precipitantes.
O que diz o estudo?
Nesta meta-análise verificou-se que as crianças medicadas com CTI (200-400 mg/dia de dipropionato de beclometasona ou equivalente) tinham menos exacerbações de asma com necessidade de corticoterapia sistémica, melhor função pulmonar e melhor controlo da doença, comparando com as que estavam medicadas com montelucaste (5-10 mg/dia).
Não houve diferença significativa entre o grupo do CTI e o grupo do CTI + montelucaste relativamente ao número de pacientes com exacerbações necessitando de corticoterapia sistémica. Contudo, este resultado baseou-se apenas em dois estudos, nos quais havia evidência de heterogeneidade estatística.
Artigo original: MeReC Monthly nº 32
