Decisão terapêutica na oclusão sintomática da artéria carótida interna ou cerebral média

 

 

Pergunta clínica

Em adultos com oclusão aterosclerótica da artéria carótida interna ou cerebral média, o bypass cirúrgico combinado com terapêutica médica diminui o risco de acidente vascular cerebral ou de morte em comparação com a terapêutica médica isolada?

Desenho do estudo

Ensaio clínico aleatorizado, não cego na relação médico doente (tanto o médico como o paciente sabiam o tratamento que estava a ser realizado), mas cego em relação ao investigador (os investigadores que realizaram análise dos resultados não tinham conhecimento sobre qual o grupo de tratamento em que cada paciente estava), realizado em 13 centros hospitalares na China. Foram incluídos pacientes com oclusão da artéria carótida interna ou artéria cerebral média, que apresentaram acidente isquémico transitório ou acidente vascular cerebral isquémico não incapacitante atribuído a insuficiência hemodinâmica com base em imagens de perfusão por tomografia computadorizada, recrutados entre junho de 2013 e junho de 2018 (acompanhamento até 18 de março de 2020). Os pacientes foram aleatoriamente designados para receber cirurgia bypass juntamente com terapêutica médica otimizada ou apenas terapêutica médica (antiagregantes e controlo de fatores de risco).

Resultados

Foram incluídos um total de 324 pacientes, dos quais 161 realizaram cirurgia bypass e terapêutica médica otimizada (grupo cirúrgico) e 163 apenas realizaram apenas terapêutica médica otimizada (grupo médico). A idade média dos participantes foi de 52.7 anos, 79.3% eram homens e 95.4% completaram o estudo. Os resultados mostraram que não houve diferença estatisticamente significativa entre o grupo cirúrgico e o grupo médico na incidência de acidente vascular cerebral ou morte nos primeiros 30 dias ou acidente vascular cerebral isquémico ipsilateral após 30 dias e até 2 anos (8,6% vs 12,3%; HR 0.71, 95% CI, 0.33-1.54; P=0.39). Além disso, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos no surgimento de qualquer acidente vascular cerebral ou morte em 2 anos (9.9% vs 15.3%; HR 0.69, 95% CI 0.34-1.39; P=0.30) ou acidente vascular cerebral fatal em 2 anos (2.0% vs 0%; P=0.08).

Comentário

Este estudo, à semelhança de estudos anteriores, vem demonstrar que a adição do bypass cirúrgico extracraniano-intracraniano (EC-IC) à terapêutica médica otimizada não apresenta benefício adicional na redução do risco de acidente vascular cerebral ou morte em pacientes sintomáticos com oclusão aterosclerótica da artéria carótida interna ou cerebral média, quando comparado com a terapêutica médica isolada. A decisão de realizar um procedimento invasivo como o bypass EC-IC deve ser cuidadosamente ponderada, considerando os riscos e benefícios, especialmente quando terapêuticas médicas otimizadas estão disponíveis.

 

Artigo original: JAMA

 

Por Daniela Macedo Gomes, USF Serra da Lousã

 

 

 

 

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