USPSTF: rastreio da hepatite C

 

Desenho do estudo: Revisão sistemática da evidência sobre o rastreio e tratamento da infeção pelo vírus da hepatite C (VHC) em adultos assintomáticos pela U. S. Preventive Services Task Force (USPSTF).

As principais recomendações desta revisão encontram-se descritas em seguida:

Recomendações (nível B):

População a rastrear

– População de alto risco para infeção pelo VHC.

– Adultos nascidos entre 1945 e 1965 nos Estados Unidos (maior probabilidade de diagnóstico, visto que cerca de ¾ dos doentes infetados com VHC nasceram neste período, havendo uma provável relação com a realização de transfusões sanguíneas recebidas antes de 1992 ou com antecedentes de outros fatores de risco).

Fatores de risco para infeção pelo VHC

 Fatores de alto risco:

– Antecedentes de consumo prévio ou atual de drogas injetáveis (60% dos casos de novas infeções ocorrem em indivíduos que consumiram drogas injetáveis nos últimos 6 meses);

– Transfusão sanguínea recebida antes de 1992 (desde então implementaram-se programas de rastreio de infeções transmissíveis por transfusão, pelo que atualmente não se considera fator de risco).

Outros fatores de risco:

– Hemodiálise crónica;

– Filho de mãe infetada pelo VHC;

– Consumo de drogas intranasais;

– Ser recluso;

– Realização de tatuagens em local não regulamentado (evidência limitada);

– Outras exposições percutâneas, como por exemplo no caso dos profissionais de saúde (evidência limitada).

Testes de rastreio

– Pesquisa de anticorpos anti-VHC (sensibilidade> 90% na população com fatores de risco para infeção pelo VHC).

– Confirmação com polymerase chain reaction – PCR (alta sensibilidade, determina a carga viral, identificando infeção crónica).

Frequência do rastreio

– Indivíduos com risco contínuo para infeção pelo VHC (consumidores de drogas injetáveis): rastreio periódico, sem evidência que defina um intervalo ótimo.

– Adultos nascidos entre 1945 e 1965: 1 vez na vida.

Intervenções terapêuticas/preventivas

– Tratamento antiviral: a combinação interferão peguilado e ribavirina é o tratamento padrão.

– Previne complicações a longo prazo da infeção crónica pelo VHC (cirrose, insuficiência renal, carcinoma hepatocelular).

Benefícios versus riscos do rastreio

– Regimes antivirais resultam em resposta virológica sustentada e melhoria clínica.

– Os efeitos adversos do tratamento antiviral são auto-limitados e geralmente resolvem após descontinuação do tratamento.  

– Sobrediagnóstico.

– Ansiedade e sentimento de estigmatização (evidência limitada).

Comentário: Esta actualização das recomendações pode ser uma ferramenta útil para o médico de família. Ficam, no entanto algumas dúvidas práticas por esclarecer: qual a periocidade com que o rastreio deverá ser aplicado em indivíduos com risco contínuo para infeção pelo VHC? Após um rastreio positivo, quais os indivíduos que mais beneficiam do tratamento? Quando iniciar tratamento em indivíduos assintomáticos? Por outro lado, é necessário ter em consideração a especificidade destas recomendações da USPSTF relativa à população americana, nomeadamente quando recomenda o rastreio no indivíduos nascidos entre 1945 e 1965.

Artigo original

Por Daniela Cruz Pinto, USF Maxisaúde

 

 

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