Inibidores SGLT-2 e análogos GLP-1 reduzem risco de morte por causas cardiovasculares na Diabetes tipo 2

 

 

Pergunta clínica: Os inibidores do cotransportador-2 de sódio e glicose (SGLT-2) e os agonistas do peptídeo-1 glucagon-like (GLP-1) reduzem marcadores (outcomes) cardiovasculares orientados para o paciente nos doentes com Diabetes Mellitus tipo 2?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise em rede. Foram pesquisados em 3 bases de dados (Medline, Embase e CENTRAL) ensaios clínicos aleatorizados publicados até Agosto de 2020, que comparassem a utilização de inibidores SGLT-2 e/ou agonistas GLP-1 com placebo, tratamento standard ou outras terapêuticas hipoglicemiantes por um período de pelo menos 24 semanas. A selecção de estudos, extração de dados e avaliação do risco de viés foram efectuados de forma independente por dois revisores.

Resultados: Foram incluídos 764 estudos, com 421.346 participantes. A maioria dos estudos apresentou baixo risco de viés na maioria dos domínios analisados e a análise baixa heterogeneidade para a maioria dos marcadores (outcomes). Ambas as classes de fármacos reduziram a mortalidade por todas as causas, mortalidade cardiovascular, enfarte agudo do miocárdio não fatal e insuficiência renal (evidência de nível alto), bem como o peso corporal (evidência de nível baixo). Os inibidores de SGLT-2 foram superiores na redução do internamento por insuficiência cardíaca e os agonistas GLP-1 superiores na redução do acidente vascular cerebral não fatal. Em termos de efeitos secundários, os inibidores SGLT-2 podem associar-se a um risco aumentado de infeção genital (evidência alta), enquanto que os agonistas GLP-1 podem causar eventos gastrointestinais graves (evidência baixa). Os benefícios absolutos a 5 anos variaram consoante o risco cardiovascular: 2 a 5 mortes evitadas por 1000 pacientes de baixo risco tratados e 24 a 48 mortes poupadas por 1000 pacientes de alto risco tratados.

Comentário: A doença cardiovascular aterosclerótica constitui a principal causa de morbimortalidade em pessoas com Diabetes, daí que a perspetiva do seu tratamento única e exclusivamente tendo em conta o valor de hemoglobina glicada (perspetiva glucocêntrica) não faça atualmente sentido. A obrigatoriedade de demonstrar que uma nova terapêutica antidiabética não estaria associada a um risco aumentado de eventos adversos cardiovasculares graves condicionou, indiretamente, que alguns estudos demostrassem, para além da segurança, possíveis benefícios cardiovasculares – como é o caso das 2 classes farmacológicas em apreço neste estudo. Estes dados abriram ainda as portas à investigação e potencial indicação das mesmas em outras patologias e em doentes com ou sem Diabetes.

Artigo original: BMJ

Por Filipe Cabral, USF Marco

 

 

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