Monitorização ativa não é inferior à cirurgia no carcinoma ductal in situ de baixo risco

 

 

Pergunta clínica: Qual é a segurança, a curto prazo, da monitorização ativa em mulheres com carcinoma ductal in situ (CDIS) da mama de baixo risco, quando comparada com o tratamento cirúrgico com ou sem radioterapia?

População: Mulheres com diagnóstico recente de carcinoma ductal in situ, de grau 1 ou 2, positivo para recetores hormonais
Intervenção: Monitorização ativa
Comparação: Tratamento cirúrgico com ou sem radioterapia
Outcome: Risco cumulativo de cancro invasivo na mama ipsilateral a 2 anos

Desenho do estudo: Trata-se de um ensaio clínico randomizado, com recrutamento de 995 participantes do sexo feminino, com idade igual ou superior a 40 anos, com diagnóstico recente de carcinoma ductal in situ de grau 1 ou 2, positivo para recetores hormonais e sem evidência de cancro invasivo. As participantes foram divididas em 2 grupos:
a) Monitorização ativa: follow-up a cada 6 meses com exames de imagem da mama e exame físico (n = 484);
b) Tratamento conforme guidelines: cirurgia com ou sem radioterapia (n = 473).
O outcome primário foi o risco cumulativo de diagnóstico de cancro invasivo na mama ipsilateral em 2 anos, de acordo com análises de intenção de tratar e por protocolo.

Resultados: Do total de participantes, 46 foram diagnosticadas com cancro invasivo, 19 no grupo de monitorização ativa e 27 no grupo de tratamento conforme guidelines. A taxa cumulativa a 2 anos de cancro invasivo ipsilateral, segundo o método de Kaplan-Meier, foi de 4,2% no grupo de monitorização ativa versus 5,9% no grupo de tratamento conforme guidelines, indicando a não inferioridade da monitorização ativa relativamente à cirurgia. Em suma, verificou-se que as mulheres com carcinoma ductal in situ de baixo risco submetidas a monitorização ativa não demonstraram maiores taxas de diagnóstico de cancro invasivo na mama ipsilateral após 2 anos de seguimento.

Comentário: O carcinoma ductal in situ é uma neoplasia pré-invasiva, com potencial para evoluir para cancro invasivo, pelo que atualmente se recomenda o tratamento com recurso a cirurgia, radioterapia e/ou terapêutica hormonal. Estas terapêuticas não são desprovidas de riscos e/ou de efeitos laterais significativos, e o presente ensaio clínico demonstra potencial para reduzir a necessidade de cirurgia e optar por monitorização ativa. No entanto, são necessários estudos adicionais para avaliar a segurança a longo prazo desta modalidade de tratamento. Os achados sugerem que a monitorização ativa pode ser uma opção viável, sobretudo em doentes com múltiplas comorbilidades e/ou expectativa de vida reduzida, como forma de evitar sobretratamento.

Artigo original: JAMA

Por Soraia Ribeiro Fernandes, USF Terras do Ave

 

 

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