Justifica-se repetir a osteodensitometria?

Por Mariana Rio, USF São João do Porto


 

Pergunta clínica: A repetição da osteodensitometria, 4 anos após o primeiro exame, altera a avaliação do risco de fractura em idosos?

Desenho do estudo: estudo coorte de 310 homens e 492 mulheres idosos que participaram no Framingham Osteoporosis Study, submetidos a osteodensitometria da cabeça do fémur, de 1987 a 1999. Foi avaliado o risco de fractura major (coluna vertebral, antebraço e ombro) ou da anca durante 2009 ou 12 anos após osteodensitometria realizada de 4 em 4 anos. Os indivíduos estudados não estavam medicados para a osteoporose.

Resultados: O tempo médio de follow-up foi de 9,6 anos. Durante esse tempo, 76 participantes tiveram fractura da anca e 113 sofreram uma fractura osteoporótica major. Ocorreu um aumento de cerca de 4 fracturas da anca por 100 pessoas, por ano. Analisando a curva ROC, realizar uma segunda osteodensitometria não acrescentou nova informação. A percentagem de doentes reclassificados como pertencentes ao grupo de alto risco de fractura não foi significativo (3,9%; 95% IC; -2,2% a 9,9%), assim com aqueles reclassificados como baixo risco (-2,2%; 95% IC; -4,5% a 0,1%).

Comentário: Este estudo concluiu que uma segunda osteodensitometria não acrescenta informação relevante, não altera a conduta clínica e não influencia o risco de fractura. A salientar que foram apenas incluídos idosos sem osteoporose, não medicados. A norma 001/2010 da DGS regulamenta as situações em que está indicada a realização de osteodensitometria: nos doentes osteoporóticos sob terapêutica, a repetição de osteodensitometria não deve ser feita antes de 24 meses de tratamento bem instituído, podendo ser repetida após mais 2 anos. No caso de uma primeira osteodensitometria ter revelado osteopenia, a sua repetição só deverá ser efectuada depois de 5 anos. No entanto subsistem ainda as dúvidas: qual é a evidência científica que justifica a repetição da osteodensitometria em doentes osteoporóticos sob terapêutica? Quando devemos repetir?

Artigo original

 

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