Os inibidores da SGLT2 reduzem a mortalidade cardiovascular nos idosos com diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca

 

 

Pergunta clínica:  Em adultos mais velhos ou frágeis com diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca, será que os iSGLT2 reduzem a mortalidade?

Desenho do estudo: Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise onde foram incluídos 20 estudos com um total de 77083 pacientes. Foram selecionados ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais, onde se comparava iSGLT2 com placebo ou outra medicação hipoglicemiante, em adultos frágeis ou com idade igual ou superior a 65 anos.

Resultados: Os participantes tinham todos diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca, sendo que 57% era homem. Dentro dos estudos selecionados, 10 foram ensaios clínicos randomizados, 7 estudos observacionais, e 3 foram análises secundárias. Os estudos apresentaram geralmente baixo risco de viés, mas metade dos estudos não realizou adequadamente a ocultação dos participantes e investigadores, metade dos estudos não apresentou dados claros sobre a ocultação, e vários tinham outras áreas de incerteza. Não se observou uma redução significativa na HbA1c, mas os resultados foram heterogéneos entre os estudos. Um estudo em particular, apresentou resultados de controlo glicémico bastante piores; a sua remoção resolveria a heterogeneidade apresentada, e desta forma poder-se-ia concluir que, apesar de pequena, havia uma melhoria clinicamente significativa no controlo glicémico. Os iSGLT2 associaram-se a uma redução do risco de mortalidade por todas as causas, de morte cardíaca, e hospitalização por insuficiência cardíaca, sendo que estes resultados foram consistentes e independentemente do tipo de estudo. Contudo, não se verificou um efeito significativo na redução de risco de eventos macrovasculares (síndromes coronários agudos ou acidentes vasculares cerebrais), agravamento da função renal ou insuficiência cardíaca, lesão renal aguda, fibrilação auricular ou cetoacidose diabética.

Comentário:  Diabetes tipo 2 e insuficiência cardíaca são problemas bastante comuns em idosos e pessoais mais frágeis, daí a importância de compreender o efeito da medicação nestes doentes. Apesar da evidência reconhecida dos efeitos cardioprotetores dos iSGLT2, a avaliação da sua efetividade em pessoas com fragilidade é particularmente relevante.  A redução do risco de mortalidade por todas as causas,  a redução de morte cardíaca e de hospitalização por insuficiência cardíaca são boas notícias para estes pacientes.

Artigo original: Age Ageing

Por Maria Santos, USF Viseu-Cidade

 

 

 

 

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