Prescrição de alto risco em pacientes vulneráveis

Por Pedro Azevedo, IFE MGF – USF Fânzeres

Foi realizado um estudo transversal de uma amostra de 315 clínicas de medicina geral e familiar num total de 31% das clínicas escocesas e 139 404 doentes.  O objectivo do estudo era identificar um indicador composto que permitisse aferir a segurança da prescrição a doentes vulneráveis e dessa forma ser usado como instrumento de medição da segurança prescritiva de determinada clínica.

O indicador composto foi realizado recorrendo a 15 indicadores que foram também analisados individualmente quanto à sua capacidade de distinguir a segurança prescritiva em relação a doentes de risco (7,9% do total) identificados devido à sua idade, co-morbilidades ou co-prescrições.

Dos pacientes vulneráveis identificados, 14% foram medicados com pelo menos um fármaco de alto risco. Embora o valor desejável desta percentagem não deva ser zero, este valor não pode ser tão alto havendo ainda um longo caminho a percorrer de forma a tornar a prescrição, principalmente nestes doentes vulneráveis, mais segura. O indicador composto que foi elaborado mostrou-se eficaz a distinguir as clínicas com alto risco prescritivo das clínicas com baixo risco prescritivo.

Num país como o Reino Unido, em que à semelhança do nosso, os indicadores de custo prescritivo estão cada vez mais na linha da frente do pensamento médico, convém por vezes dar um passo atrás e substitui-los pelos indicadores de segurança prescritiva. Afinal de contas a primeira obrigação de um médico não é poupar, é NÃO FAZER MAL ALGUM. Vale a pena pensar nisto.

Artigo original: https://www.mgfamiliar.net/wp-content/uploads/bmj.d3514.full_.pdf

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